União pela Ermida do Guaibê

Patrimônio histórico pode fomentar o turismo, após trabalhos capazes de lhe dar estrutura para visitas monitoradas

Por muitos anos em estado de esquecimento, um patrimônio histórico da região, enfim, recebe a atenção merecida. A Ermida de Santo Antônio do Guaibê, construída no costado de Guarujá, em frente ao canal de Bertioga, deve contar, em breve, com manutenção emergencial das prefeituras de Bertioga e Guarujá. Após estudos e a apresentação de um projeto, a edificação receberá estrutura para se tornar um ponto turístico monitorado.
Desde julho, os prefeitos das duas cidades discutem a restauração do local em conjunto, para fomentar o turismo e preservar as ruínas da igreja em que teria ocorrido o chamado Milagre das Luzes de José de Anchieta. A história contada é de que o padre, que costumava alojar-se no Forte São João e orava pela paz entre brancos e índios, certa noite foi levado à ermida para rezar e negou-se a ficar com o candeeiro oferecido pelo barqueiro. Mais tarde, ouviu-se música e, ao abrir a janela da fortaleza, a mulher do barqueiro viu a igreja toda iluminada. Para homenagear o santo, todos os anos, no mês de junho, Bertioga promove a celebração de São José de Anchieta com encenação do Milagre das Luzes e saídas de barco do qual os espectadores podem assistir a um ator declamando poesias do santo na área das ruínas.
O desejo de atrair turistas para visitar a área não somente em junho, mas durante o ano todo, motivou reunião com o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de São Paulo, Victor Hugo Mori. No encontro, traçou-se um rumo pela conservação e restauração do patrimônio. O prefeito de Bertioga Caio Matheus colocou o município à disposição para a criação de um termo de cooperação técnica. Disse ele: “Embora seja no território de Guarujá, tem tudo a ver com a história da cidade. Fica na divisa com o canal e vai aquecer muito o turismo náutico do lado de Bertioga”.
O aspecto histórico, cultural e religioso da ermida foi destacado pelo prefeito de Guarujá Válter Suman. “A ermida vem, com o tempo, sofrendo deterioração, infiltração de raízes; isso compromete aquele grandioso patrimônio. Nós decidimos criar uma comissão de trabalho composta por técnicos, para iniciarmos uma ação emergencial no cuidado daquele espaço, para que ele possa se tornar, aos poucos, um grande atrativo de visitação, com potencial turístico fantástico, não só para Guarujá, mas, principalmente, acredito, para Bertioga”.
A manutenção, que deve ocorrer em breve, abrange também os demais patrimônios da área, como a Armação das Baleias e o Forte São Felipe, que integram o Parque Arqueológico São Felipe, instituído por lei municipal de Guarujá em 1998. Desde então, foram realizadas tratativas para transformar a região em polo turístico, que pode ser viabilizado, também, por meio de convênios com o estado e a União.
Como primeira etapa dos trabalhos, o superintendente do Iphan reforçou ser necessário treinamento para a zeladoria do local, por isso, deve deslocar técnicos assim que houver disponibilidade de agenda. “É muito mais do que limpeza de tirar mato e varrer, é algo, inclusive, que envolve a sociedade e as pessoas que trabalharão no local, da importância e estabelecimento de um vínculo de afetividade com o monumento. É o único jeito de dar certo, hoje”.
Conforme elencou, é necessário que os municípios providenciem um programa de uso; é possível agilizar os procedimentos se, com o projeto em andamento, um corpo técnico fizer o levantamento da área, que já possui pesquisa arqueológica.

Ermida
Acredita-se que esta seja uma das primeiras igrejas do Brasil, construída por volta de 1560, por José Adorno, e seria usada por jesuítas para catequizar indígenas.
Atualmente, o acesso é feito por barco ou pela trilha próxima à travessia de balsas Guarujá-Bertioga. A construção da ermida é constituída por pedras com sambaquis e óleo de baleia com conchas.

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