Todos por um esforço em prol do sorriso saudável

Muitos ignoram que a saúde começa pela boca e que a higiene bucal ainda é a forma mais importante para garantir dentes e gengivas saudáveis

Gisela Bello

Infelizmente, ainda vivemos em um país de desdentados, que deixam em segundo plano a boa higiene bucal. Segundo o censo de 2013 sobre saúde bucal, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, mostra lamentavelmente que 16 milhões de brasileiros não têm um único dente na boca. O número equivale a 11% da população e aumenta para 22,8%, entre aqueles sem nenhum grau de instrução. Em pleno século XXI, esses números revelam o quanto ainda é preciso alertar a população sobre um ato tão simples e rotineiro, mas que, para milhões de pessoas ainda é irrelevante.
O quadro preocupa e entidades buscam diminuir os índices dessa triste realidade. Nessa linha, recentemente foi inaugurado, na Casa da Esperança de Santos, o projeto Sorriso Saudável, Futuro com Esperança, idealizado pelo cirurgião-dentista e ortodontista Ricardo Fidos Horliana e pela diretoria do Rotary Club de Santos, com o apoio da Fundação Rotária do Rotary Internacional, e em parceria com clubes e distritos do Rotary na Alemanha e nos Estados Unidos.
Um consultório odontológico completo e uma unidade para ensino e promoção da higiene bucal (escovódromo), que já está a todo vapor, vêm atendendo, gratuitamente, as 285 crianças e adolescentes assistidos pela instituição. Faz parte também do projeto, a Unidade de Radiologia Odontológica com exames totalmente digitais (tomógrafo) que, em breve, estará em funcionamento não só para os atendidos pela CES, mas também, para a população carente da região a um baixo custo. A sustentabilidade do projeto contará com o engajamento social da população, que poderá pagar o valor de mercado pelos serviços de radiologia. Para o sucesso do Sorriso Saudável, Futuro com Esperança, uma parceria fundamental foi estabelecida com a Faculdade de Odontologia da Unisanta e com a Associação dos Cirurgiões Dentistas da Baixada Santista.
Todas as crianças e adolescentes atendidos pela Casa da Esperança de Santos têm limitações motora e/ou cognitiva e são atendidas pela instituição. Como todos fazem uma refeição diária no local, nada melhor que, após se alimentarem, eles possam fazer a higiene bucal, com profissionais capacitados, como explica Lamartine Lélio Busnardo, cirurgião-dentista, ex-presidente da CES por quinze anos e atual vice-presidente: “Uma casa que se preocupa com o processo de reabilitação e habilitação dos assistidos, necessariamente, tem que ter um serviço de escovação”.
A cirurgiã-dentista responsável pelo atendimento odontológico na instituição, Érika Guimarães Ramires, explica que a casa tem também a Semana de Saúde Bucal, na qual um dos objetivos é orientar as mães a dar continuidade, em casa, daquilo que foi ensinado. “Tiramos as dúvidas quanto à escovação e o melhor creme dental e, desde cedo, mostramos a importância desse hábito, de ser um ato contínuo após as refeições. Estamos sempre fazendo trabalhos com as crianças, para que elas consigam manipular a escova sozinhas e, com isso, torná-las mais independentes”.

Tomógrafo solidário
O tomógrafo, em breve, estará funcionado e não só para as crianças da CES, mas também para a população carente das nove cidades da Baixada Santista, que poderão utilizar o aparelho a um custo reduzido. Além dos 285 pacientes atendidos, estima-se que mais de 10.000 crianças e adolescentes carentes sejam beneficiados, por ano, com exames de tomografia e radiografia digitais. Pacientes atendidos pelos cursos de graduação e de pós-graduação em odontologia da Unisanta, bem como pelos cursos da Associação dos Cirurgiões Dentistas da Baixada Santista, também poderão obter exames radiográficos e tomográficos a custos subsidiados, na Casa da Esperança de Santos.
Mas a Casa da Esperança de Santos, que completa 60 anos em julho, realiza também outros projetos importantes que atendem à comunidade, como o programa de Intervenção Precoce ao Recém-Nato de Risco, que tem um atendimento diferenciado, com fisioterapeutas especializados no desenvolvimento psicomotor e fonoaudiologia no primeiro ano de vida.
A neurologista e diretora clínica da Casa da Esperança de Santos, Drª. Maria Lúcia Leal dos Santos, explica que são atendidos bebês que ficaram internados em uma unidade de terapia intensiva neonatal, e que apresentaram quadros de crise convulsiva ou meningite, além de prematuros extremos. “Esses recém-natos têm uma possibilidade maior do que os outros de desenvolverem problemas neurológicos. Aqui, na instituição, é feito um atendimento de fisioterapia, orientando a mãe a lidar com o bebê em casa, tentando também fazer com que ela tenha um olhar bem crítico para qualquer alteração no desenvolvimento do filho”.
Criado em 2015, esse é um programa da CES, que ajuda a prevenir e/ou amenizar qualquer alteração que o recém-nato possa desenvolver. Rosemeire Souza sabe bem a importância desse programa. A filha Maria Júlia nasceu prematura, com apenas seis meses, e ficou internada quatro meses na UTI neonatal de um hospital de Santos. “Foram dias sem dormir, de muita angústia e incerteza, mas, agora, ela está se recuperando muito bem e, até o momento, não apresentou nenhum problema neurológico”.
O programa Sem Barreiras é outro exemplo de serviço prestado para assistidos com necessidades de acesso a equipamentos fundamentais para a mobilidade. Cadeiras de rodas, órteses e próteses são repassadas para os pacientes por meio de doações feitas por empresários e pela comunidade em geral. Daí a importância da divulgação dos serviços prestados pela Casa da Esperança de Santos, afinal, são mais de 3.000 terapias mensais realizadas pelos profissionais capacitados da instituição.
Programas de apoio à família também fazem parte da CES, por meio do Núcleo de Promoção de Mães Dona Vanjú. Há 17 anos, são realizados cursos de artesanato e, desde 2010, o curso de panificação objetiva levar conhecimento e aprendizado às famílias dos pacientes, para que tenham uma nova fonte de renda.

 

Corrente do bem
As doações feitas pela própria comunidade representam, hoje, cerca de 50% do total da receita liquida da Casa da Esperança de Santos. O poder público, por meio de convênios, faz o repasse de verbas, e os setores operacionais, representados pela loja e oficinas ortopédica e fisioterapeuta para adultos, por meio de convênio SUS e particulares, também auxiliam no custo dos tratamentos. Eventos beneficentes são realizados, mas, mesmo com a soma de todos esses esforços, a arrecadação mensal não tem sido suficiente para garantir a cobertura dos gastos e evitar o risco da paralisação de alguns serviços.
Qualquer pessoa pode contribuir com a instituição e conhecer o local que, por períodos curtos ou longos, torna-se a segunda casa de crianças, adolescentes e suas respectivas famílias. As contribuições podem ser feitas pelo Teledoações (13) 3278 7801; por depósito bancário no banco Itaú, agência 0245, conta corrente 09379-4; ou por meio de repasses de impostos via Nota Fiscal Paulista. Há, ainda, a opção de se tornar associado ou aderir ao programa Padrinhos Esperança. Mais informações podem ser obtidas no site www.casadaesperancadesantos.org e pelo telefone (13) 3278 7800.

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