O sonho da bola em campos norte-americanos

Uma academia de futebol proporciona aos atletas, além de opção esportiva, a chance de ter um futuro, dentro ou fora dos gramados, por meio de intercâmbio internacional

Luciana Sotelo

Que garoto não quer ser igual ao artilheiro do seu time do coração? Ir para fora do país, ter uma carreira de sucesso e, quem sabe, jogar na seleção? Milhares deles passam pelas famosas peneiras, mas, a maioria não consegue realizar o tão cobiçado sonho. Ainda mais quando se trata do ‘país do futebol’, um dos maiores celeiros de craques do mundo. Entre uma tentativa e outra, o tempo passa e, muitas vezes, a frustração toma conta do jovem. Nessa hora, o papel da família é fundamental. Quem pode investir no filho ou na filha, agora tem uma alternativa para não ficar no zero a zero.
O pontapé inicial vem da junção entre o esporte e a educação. Esse é o objetivo da Next Academy, uma escola de futebol com uma proposta diferenciada. Com unidades em todo o país, a franquia chegou à Baixada Santista há pouco mais de um ano; ela prepara os alunos para lições que vão além dos gramados e se estendem aos bancos das universidades americanas, como explica Bruno Viana, sócio-proprietário da escola de Santos: “Fazemos a preparação no futebol e no idioma inglês para que esses atletas consigam bolsa de estudo para o ensino médio ou uma universidade nos Estados Unidos. Isso representa uma oportunidade única de conciliar as competições esportivas de alto nível com o estudo de uma profissão”.
Fundada em 2008, a rede possui, atualmente, 25 unidades no Brasil. O projeto ocorre em parceria com a Adidas e a EF English Live, uma das maiores escolas de inglês on-line do mundo. “Somos a maior empresa de intercâmbio esportivo da América Latina. Tudo começou no Rio de Janeiro. Os cinco sócios estudaram e jogaram nos EUA e viram aí uma oportunidade de mercado. Em 2015, surgiu um modelo de academia de futebol”, aponta Viana.
Com foco no desenvolvimento pessoal, a Next oferece a preparação do futebol de campo, com aulas de 1 hora e meia de duração, duas vezes por semana, além das partidas amistosas que promove nos finais de semana. Durante essas competições, as partidas são filmadas e resultam em material de divulgação para cada um dos participantes. “Esse vídeo é muito importante, porque essas imagens são enviadas para os treinadores americanos na hora de uma avaliação”.
O coordenador de futebol Almir Barros da Silva conta que utiliza, nos treinos, os mesmos conceitos usados nas partidas. “Nossa metodologia é voltada para as situações reais de jogo. Por causa disso, unimos o físico (preparação), o tático e o técnico em todas as atividades. Isso é feito nos grandes clubes, no futebol mundial”.
Para ganhar traquejo em campo, a Next realiza torneios internos entre as unidades. São competições regionais e estaduais. Já a parte educacional é efetuada pelos alunos, em casa, pelo computador, tablet ou celular. O aluno faz um teste de nivelamento e já começa o curso on-line. É preciso ter um bom inglês para concorrer a uma bolsa de estudos, por isso, o tempo de aprendizado diário é ilimitado.
Afinal, para ter a chance de se tornar um craque é preciso provar esse conhecimento na língua. Os interessados em morar nos EUA precisam realizar provas de inglês exigidas pelas universidades americanas. Esses testes são feitos no Brasil. Para incentivar a turma, a Next exige, por mês, que cada atleta estude, pelo menos, três unidades do conteúdo programático. Só assim ele poderá ser escalado para os jogos que acontecem nos finais de semana.
E para arrumar as malas com mais segurança, ao longo do projeto, a Next disponibiliza também outros materiais, com temas diversos, para ajudar os alunos a adquirirem confiança. São temas como nutrição, futebol no Brasil e no Exterior, autoestima, motivação, alimentação, preparação física, dia a dia do estudante atleta na universidade, e muito mais.
Por causa das oportunidades, Viana diz, convicto, que os resultados positivos da Next não se resumem às estatísticas. “O atleta que consegue embarcar, e se destaca no futebol, sem dúvida, é um cara de sucesso. E a realização pessoal não tem preço. O cara que consegue obter uma boa bolsa de estudos e frequentar as melhores universidades do mundo, também é vencedor. Mesmo o cara que não consegue chegar a uma categoria de base, ou não termina os estudos, também é um cara de sucesso porque ele volta com um diferencial, o inglês fluente”. Ele reforça tal entendimento com sua própria história. “Fui atleta da Next no Rio de Janeiro. Cheguei a competir em Las Vegas, mas nunca fui morar nos EUA. Com base em tudo que aprendi, na mentalidade que passei a desenvolver, me considero um cara de sucesso. Aos 21 anos, vim para a área do empreendedorismo e, hoje, sou um franqueado da Next”.

Atletas de Santos
Fundada em 26 de junho do ano passado, a unidade de Santos possui 80 participantes cujo sonho comum é encontrar nos EUA a oportunidade de suas vidas. As estatísticas são animadoras. Segundo dados da empresa, hoje, já são mais de 400 jogadores no exterior. Todos vão se formar nas mais conceituadas universidades do mundo, com bolsas de esporte, de até 100%.
Essas informações fizeram o coração de Fernando Nogueira Silva encher-se de esperança. Ele tem 17 anos e, desde os 6 anos, joga bola e alimenta o sonho de se tornar um jogador profissional. Tamanha motivação ajuda o rapaz a não medir esforços para chegar aonde quer. Ele mora em Bertioga, e para se deslocar ao treino precisa pegar dois ônibus e ainda atravessar o estuário de Santos de barca. São pelo menos cinco horas em deslocamento, por dia de treino. O volante é convicto: “O futebol é tudo na minha vida. Me sinto privilegiado em poder construir a minha própria história. É bem longe, mas a Next está sendo essencial para eu poder conquistar meu objetivo. Se tudo der certo, pretendo embarcar em agosto de 2018. Tudo vale a pena”.
Outro que não vê a hora de dizer adeus ao país é Rodrigo Oliveira Rogatto. Ele tem 17 anos e começou em escolinhas de futebol com apenas 5 anos. Desde sempre, ele confessa, já sabia o que queria ser quando crescer. “Nunca tive dúvida. Comecei com campo, no Jabaquara, depois fui para o Santos Futebol Clube, até hoje jogo salão lá. Minha prioridade de vida é ser jogador. Quero me profissionalizar e poder ser como meus ídolos Neymar e Ronaldo Gaúcho”, emociona-se o menino.
Rodrigo entrou na academia em agosto de 2016 e já recebeu algumas propostas. “Em um dos nossos jogos, veio um treinador de fora. Ele gostou muito de mim, mandou o convite, mas preferi terminar a escola e ver outras opções”. Ele termina esse ano o ensino médio. A partir daí, é dedicação total à sua grande paixão.
Um dos grandes diferenciais da Next é a idade dos atletas. São aceitos jovens de 15 a 24 anos, faixa etária apta a ingressar no ensino médio e ou faculdade. Bruno Viana diz que “muitos clubes e escolinhas já consideram essas pessoas velhas para ingressar no esporte. Oferecemos essa alternativa para aqueles que já haviam se desiludido com a falta de uma oportunidade”.
Foi o caso da volante Thayna Cavalcante da Silva Algaves, de 21 anos. Por causa de uma lesão no joelho, ela teve que frear sua carreira. “Eu jogava na base das Sereias [time profissional feminino do Santos Futebol Clube] e tive que parar. Ao tentar voltar para o futebol, senti bastante dificuldade”. Há um ano na Next, já se permite sonhar: “Minha meta é ir para os EUA, estou empenhada. Já vou tirar meu passaporte. Começo a tentar a bolsa a partir do ano que vem. Estou em dúvida sobre o curso que vou escolher, mas sei que tudo isso vai ser um grande diferencial na minha trajetória”.
O goleiro Bruno Kato, de 17 anos, também mudou seu horizonte. Ele já tinha desanimado de fazer parte do universo futebolístico, quando descobriu que poderia unir duas paixões: a bola e o jornalismo. “Achei que não tinha mais como me dar bem com o futebol. Agora, já faço meus planos para jogar e estudar. Na verdade, quero ser jornalista e me especializar em jornalismo esportivo. Meu desejo é estudar na Columbia University”. E por falar em estudos, o que mais chamou a atenção de Caio Toledo Correa, de 17 anos, foi justamente a formação profissional no exterior. Ele tem interesse em engenharia e administração, mas ainda não definiu exatamente o que vai fazer. “O futebol vai ser meu passaporte para muitas possibilidades. Quero ser jogador, mas o que mais me atrai, hoje, é a chance de poder estudar em alto nível”.
Quando se tem um sonho, o importante é correr atrás para conquistá-lo, como frisa Bruno Viana: “Deixamos em aberto que essa realização não depende de nós. Não prometemos nada. A gente apenas oferece todas as ferramentas que o jovem precisa para realização pessoal. Só depende do seu esforço e desempenho”.
Os interessados em participar do projeto, que é pago, devem entrar em contato pelo telefone (13) 3394 2285 ou se inscrever pelo site: www.nextacademy.com.br/inscricoes-de-futebol. Ainda há vagas disponíveis. As aulas acontecem na Associação Desportiva da Polícia Militar, na avenida Coronel Joaquim Montenegro, 284, na Ponta da Praia.

Novidade
Recentemente, a Next Academy lançou uma plataforma que a diferencia ainda mais: a Next Colleges, que oferece ao atleta um sistema completo de buscas por universidades americanas. Os estudantes-atletas conseguem todas as informações sobre as universidades para as quais pretendem ingressar: tamanho, preço, localização, nível esportivo e acadêmico, divisões e ligas das quais participam, oferta de bolsas, se já possui atletas da Next Academy em seu quadro, entre outros. Até o final do ano, a plataforma terá também a funcionalidade de contato direto com treinadores e universidades.

Prata da casa
A Next Santos já levou um dos seus atletas aos EUA, como explica Bruno Viana: “Em agosto, serão pelo menos mais dez. Nossa participação vai até o aeroporto. Quando chega ao destino, o aluno é recebido pelo treinador, que o conduz ao alojamento, no campus da universidade”; os embarques acontecem sempre nos meses de janeiro e agosto, início e meio do ano letivo, respectivamente.
O meio campista Gabriel Monteiro Simão Batista já vive da realização de seu sonho. Ele foi escolhido pela Missouri Valley College e passou o primeiro semestre do ano dividido entre os estudos e os treinos, segundo ele, muito puxados. Com bolsa de 75% de desconto, ele ainda não escolheu o curso que vai fazer. Em agosto, terá que se decidir. Quanto às partidas, as oficiais também só começam no segundo semestre. Enquanto isso, em férias em Santos, ele assume que está animado e que a realidade já superou todas as suas expectativas. “Meu plano é morar lá, arrumar um time depois de formado e conseguir a documentação de permanência no país. Me sinto honrado com a oportunidade que meus pais puderam me proporcionar. O futebol está presente desde as minhas lembranças de infância. Eu acho que já nasci com a bola nos pés”.

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