O resgate do estilo pós-caiçara de Chu Ming Silveira

Em Ilhabela, o capricho dos novos proprietários e a competência do arquiteto Reinaldo Silva Jr. transformaram uma casa semiabandonada em uma confortável residência com suítes acolhedoras para locação

Estela Craveiro

Famosa pelo design dos orelhões telefônicos, a arquiteta Chu Ming Silveira, nascida na China e radicada no Brasil desde a infância, começou a projetar edificações em 1987, criando uma vila com vários chalés para sua família no Morro Santa Tereza, em Ilhabela, sucedida por diversas residências desenhadas para terceiros, no condomínio homônimo.
Uma delas, exatamente ao lado da que fez para si, é a Guesthouse Casa 658, de frente para o canal de São Sebastião. O imóvel ficou semiabandonado por sete anos, até ser adquirido pelo casal Praça, em 2014. Nas mãos do engenheiro mecânico Luiz e da ex-professora Rosely, em seis meses ganhou nova vida, adaptado para ser a moradia deles e, ao mesmo tempo, um bed & breakfast com suítes para locação.
Quando estavam procurando uma casa para comprar, nem quiseram vê-la, tal o mau estado em que se encontrava. Mas tudo mudou quando souberam que foi criada por Chu. Já conheciam outros projetos da arquiteta, no estilo definido por ela, falecida em 1997, como pós-caiçara, com base na utilização de materiais típicos da região, principalmente madeira, na simplicidade, e na integração à natureza, por meio de grandes áreas envidraçadas e amplas portas e janelas, oferecendo a refrescante ventilação cruzada.
“A casa tinha problemas, principalmente, nas madeiras externas, mas a estrutura e o telhado estavam bons. Havia pintura desgastada, jardins por criar e muito mato para cortar”, descreve Luiz. Ele realizou um levantamento detalhado da planta da edificação principal, um sobrado, e de dois quartos no fundo do terreno. Colocou em desenhos e contratou o arquiteto Reinaldo Silva Jr., de Ilhabela, que apresentou sua proposta, para atender aos desejos do casal, amplamente discutida com eles até chegar à forma definitiva. Paralelamente, Luiz desenhou os armários das pias e de tudo o que precisava além da reforma básica. “O projeto final tem muitas ideias de solução dele e outras nossas. Gostamos muito do trabalho do Reinaldo. Ele trouxe uma equipe boa para as obras e nós acompanhamos tudo bem de perto”, lembra o engenheiro.
Com 425m² de área total construída em um terreno de 4.500m², o imóvel passou por poucas mudanças. No andar térreo do sobrado, a suíte reversível, localizada ao lado das salas de estar e de jantar, separadas da cozinha por um balcão, foi transformada em uma sala de tevê. E o banheiro completo tornou-se um lavabo com jardim interno. No andar superior, onde havia uma imensa suíte, agora há duas, uma para o casal e, outra, para hóspedes, chamada Suíte Verde, acessível por dentro, mas com uma entrada independente. Assim como as suítes Vermelha e Azul, localizadas em dois pavimentos no alto do terreno, onde antes havia dois quartos, conectados por uma escada interna, compartilhavam um banheiro no piso inferior.
O telhado da casa foi alongado nas partes frontal e posterior. A varanda da fachada, o deque da piscina, a escada que o liga ao térreo do sobrado, e o terraço da Suíte Azul foram dotados de balaústres.
Toda a rede elétrica foi refeita, com disjuntores independentes para cada suíte e para a ala residencial do térreo, que inclui a lavanderia na parte posterior, e uma área aberta para alimentação, com churrasqueira, ao lado da cozinha.
A decoração vintage completa a personalização da Casa 658. “Os móveis e os adornos vieram do acervo da família, do chalé que tínhamos em Barra do Una [São Sebastião], do sítio em Porto Feliz [Sorocaba], e da casa que possuíamos em São Paulo, até nossos filhos casarem e mudarmos para uma menor, que é a nossa base lá. Só compramos uma cama de casal e o sofá da sala de tevê. Colocamos aqui o que é representativo na nossa vida. Temos criados-mudos da avó do Luiz, a cômoda de estimação de meu pai e camas da minha mãe e das minhas filhas”, conta Rosely.
O resultado da transformação é um ambiente acolhedor, em harmonia com o conceito ambiental subjacente ao estilo de Chu Ming Silveira. “Respeitamos ao máximo o projeto original, apenas adaptando-o às nossas necessidades. Acho que ela não ficaria brava conosco”, conclui Luiz Praça.

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