O melhor refúgio do mundo

Um abraço gostoso, uma comida quentinha. Passeios, mimos, memórias. Dia 26 de julho é o Dia dos Avós, os donos dos mais aconchegantes momentos de nossas vidas

Aline Porfírio

Os avós têm um papel marcante em nossa jornada; deles partem nossas referências, e, principalmente, são eles a fonte inesgotável de carinho de que tanto precisamos. Sabemos que eles merecem nossa atenção todos os dias, porém, dia 26 de julho é uma data especial, o Dia dos Avós. Conviver ou dividir um tempinho que seja com nossos avós nos traz memórias inesquecíveis. Não importa como são, joviais, velhinhos, descolados, conservadores, e nem se estão aqui ou já partiram. Os avós sempre têm algo em comum: a capacidade de multiplicar o amor e deixá-lo como legado. Já existem até estudos que comprovam que, passar mais tempo com eles, faz bem para à saúde.
“Neto é um filho com assistência técnica. E digo mais, o pai tem a função de educar, já o avô, tem a obrigação de mimar”, brinca Sérgio Pardal Freudenthal, de 57 anos. O advogado tem dois netos, Caetano (oito anos) e Leona (dois anos). Ele e Caetano não se desgrudam. É o avô quem leva e busca o neto na escola todos os dias, e, além disso, sofre na torcida das arquibancadas do futebol santista. Caetano é goleiro do Gremetal (Grêmio Recreativo dos Metalúrgicos de Santos), e é o avô Sergio quem acompanha o garoto em todos os testes e treinos. “Eu fico com o coração na mão, torço até o último minuto. Estou ainda me acostumando que, nessa nova fase, a família não pode mais acompanhar os treinos técnicos, aí o avô-coruja tem que sofrer do lado de fora”.
O advogado é pai de Carolina e Catarina, essa última, a mãe de Caetano e Leona. Ele sempre acompanhou de perto todas as fases das filhas e netos. Tanto amor virou homenagem em forma de tatuagem; ele tem desenhado no braço a imagem das duas filhas e os dois netos. “Eu amo muito minha família, somos muito unidos. Eu precisava externar esse sentimento, então fui homenageando cada fase da vida em forma de tatuagem”.
Um dos passeios favoritos da dupla “Sergio e Caetano” é ir à praia. O pequeno adora água e não tem medo. Aos quatro anos, já havia experimentado o primeiro passeio em um stand up paddle com o avô. “Eu lembro que, nesse dia, o levei bem devagar para experimentar o equipamento. Mas, de repente, bateu uma onda e virou a prancha. Fiquei desesperado, peguei ele da água em segundos. Então, ele olha pra mim e diz que queria experimentar de novo, que foi legal cair na água; haja coração!”.
Não é só Caetano que gosta de unir os fatores avô e praia. Muitas pessoas guardam boas lembranças de passar um tempo com os avós em frente à calmaria do mar. É o caso de Elizabeth Correia, 55 anos, que já não possui os avós vivos, mas lembra com perfeição todas as férias de verão com eles em Barra do Una, litoral norte de São Paulo.
Passear na praia, pegar conchinhas, brincar o dia todo e, ao voltar, ter um delicioso jantar esperando em casa. Já se passaram mais de 40 anos, mas ela afirma que as lembranças são sempre presentes. “Não tínhamos hora para nada, nossa rotina era acordar de biquíni e só tirá-lo na hora de dormir. Brincávamos em rios, cachoeiras e tínhamos amigos de uma pequena tribo indígena do local. Foi uma infância maravilhosa”.
Naquela época, não havia energia elétrica na casa de praia a qual Elizabeth e Izabel frequentavam. A luz vinha de um pequeno gerador a diesel, que funcionava até as 22 horas. Os passeios preferidos das irmãs eram visitar uma fazenda de bananas da região e andar em um troller puxado por bois, além de pescar e andar de canoa.
E bem que dizem que avó é tudo igual, só muda de endereço. Os tempos podem mudar, novas gerações chegam, mas a casa da avó será sempre o recanto de alegria da criançada. É o que acontece em Praia Grande, onde mora Maria Helena Gonçalves de Andrade Salani, avó de quatro netos: Vittor, 16 anos; Helena, quatro; Valentina, dois; e Maurício, nove meses. Vittor e Helena, que moram em São Bernardo do Campo, são os que costumam passar a maior parte das férias de julho e dezembro com a vó Mare, como é chamada. “Meus netos possuem idades diferentes, então, variamos as programações. Mas praia, piscina, supermercado e cinema nunca podem faltar”, diz Mare.
Ela comenta que lá não tem tempo ruim, faça chuva ou sol, tem bagunça. “Com o Vittor, em uma das férias de julho, quando chovia muito, pegamos um guarda-sol e fomos andar na chuva e ver o mar. Aqui é sempre verão para nós”. Os netos da Mare adoram passear por Praia Grande; além da praia, vão sempre ao shopping e visitam os pontos turísticos da região. O último passeio da turma foi a Cama de Anchieta, em Itanhaém.
Vittor, o mais velho, destaca que passar férias fora da cidade em que mora é bom, principalmente, para ter mais tempo com os avós. “Eu adoro ir à praia, e também adoro o brownie que minha avó faz. Mas, mais que isso, gosto de ficar conversando horas com ela e meu avô, Maurício. Quando eles ficarem bem velhinhos, até deixo eles venderem a casa de praia e vir morar comigo, assim posso cuidar deles e retribuir tudo isso”. A pequena Helena tem paixão pela praia, diz que adora fazer castelos de areia e de ver o mar. “A melhor parte das férias é ir à praia com a minha avó e o meu avô. Mas eu gosto também de cozinhar com ela, fazemos muitas coisas gostosas”. Já a avó, Mare, sintetiza o que a maior parte dos avós gostaria de dizer nessa data. “Ser avó é um amor que transcende, não tem limites, é muito puro e verdadeiro. Quando se ganha netos, percebe-se que somos capazes de amar ainda mais”, enfatiza.

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