O Iluminado

Jovem empreendedor projeta armadura de LED para ganhar a vida

Luciana Sotelo

De acordo com a Unesco, a economia criativa é um dos setores que crescem mais rápido no mundo econômico, não apenas em termos de geração de renda, mas também na criação de empregos. Criatividade e inovação humana, tanto individual quanto em grupo, tornaram-se a verdadeira riqueza das nações no século XXI. Em Santos, um rapaz simples e sem formação universitária criou um robô conhecido como “O Iluminado”, fruto desse novo conceito.
Há seis anos, o panfletista Alexandre Sylvestre, de 31 anos, juntou algumas paixões a um sonho maior, o de poder cursar faculdade de medicina. “Eu precisava ganhar dinheiro, mas, ao mesmo tempo, não queria ficar preso a um escritório, tinha que estudar para passar no vestibular. Foi preciso criar um caminho diferenciado, que ninguém havia explorado”, afirma o jovem empreendedor.
Foi com essa motivação que o ‘LED Flyer’ começou a ser planejado. Alexandre iniciou uma pesquisa a respeito de como poderia inovar em ações de marketing para ter mais sucesso na entrega de material publicitário pelas ruas e foi então que, literalmente, uma luz se acendeu na sua cabeça, ou melhor, no seu caminho. Ele descobriu que lâmpadas de LED poderiam ser fortes aliadas para atrair a atenção do público.
Após três anos de pesquisa, constatou que queria fazer performances com tecnologia, ou seja, iria agregar valor à atividade que já exercia, para obter melhores resultados. Com esse olhar inovador ele concebeu algo novo que, realmente, chamou a atenção das pessoas e saiu do lugar comum.
Na fórmula da sua criação, juntou música, motocross e, claro, tecnologia. Assim nasceu o LED Flyer, ou simplesmente, O Iluminado. Um personagem proveniente da Constelação N-45, que utiliza roupa e acessórios de motoqueiro, e que chega à Terra, atraído pelas ondas magnéticas do coração de um jovem, que sonhava em fazer medicina. Esse rapaz era panfletista e adorava ouvir os hits populares dos anos 80. Com essa ‘aproximação’, O Iluminado ajudou Alexandre a ‘brilhar’ e ser notado no mercado.
Já nos primeiros testes com a armadura, que, inicialmente, não tinha LED e sim alguns piscas, ele teve a certeza que daria certo. “Ao chegar a um cruzamento movimentado, vi todo mundo parando e apontando para mim, foi o sinal de que eu precisava para aprimorar o meu projeto. Afinal, as pessoas não querem parar para pegar um papel, simplesmente. Mas a partir do momento que você cria um personagem enigmático, carismático, com uma estética bacana, que toca e dança músicas dos anos 80, todos querem conhecer”.
De lá para cá, o robô ganhou mais de mil lâmpadas de LED e se tornou cada vez mais simpático. As oportunidades de trabalho começaram a surgir e a popularidade do robô cresceu. “Todos pedem fotos comigo e isso aumenta mais ainda a propaganda, porque a ‘selfie’ vai para as redes sociais e é compartilhada rapidamente. É o que eu sempre digo, você pode ter um material interessante, mas se não souber entregar, se ele não for compartilhado, não adianta”.
Assim, Alexandre criou uma alternativa, uma fonte de renda criativa para viver. Ele, que já foi faxineiro, bailarino, maquiador e performer, diz que está satisfeito com os resultados. “Eu sempre tive para mim que precisava fazer algo diferenciado, precisava deixar uma marca da minha existência, e deixei”.
Com o robô em atuação desde 2014, além da entrega de panfletos comerciais, Alexandre ‘enxergou’ também outras possibilidades, passou a levar O Iluminado a shows, aniversários e outros eventos sociais. “E não pense que foi planejado. Aconteceu do nada e eu soube ver que ali nascia uma nova oportunidade. Uma amiga que trabalhava num bufê me ligou desesperada. O ator que faria uma performance na festa de 15 anos não apareceu. Eu tinha alguns minutos para aceitar o convite. Arrisquei e levei O Iluminado. Foi o maior sucesso, no fim, ninguém lembrava da ausência do animador. Todos pediam pelo Iluminado”.
Nessas apresentações, que duram em média 1 hora e meia, ele realiza um show que começa com sua apresentação e, em seguida, passa a ensinar os passinhos que se tornaram marca registrada nas pistas de dança nos anos 80. Por fim, tira foto com os convidados e fica disponível para as selfies.
Alexandre confessa que, mesmo com o sucesso da sua criação, ainda não conseguiu realizar o seu desejo de ser médico, mas o sonho ainda está lá, esperando a hora certa de acontecer. Por outro lado, afirma que o projeto o levou a outras ideias. “Nesse universo de eventos, principalmente, festa de debutante, tive outras ideias e acabei criando um modelo de vestido que fica todo iluminado, com mais de 300 lâmpadas de LED”.
Além do modelito, ele foi ainda mais fundo e resolveu iluminar também o bolo das jovens. Ele confeccionou um bolo de cristal e arame, de três andares, todo iluminado, com lâmpadas que mudam de cor. “As três camadas representam, respectivamente, a união, a família e os amigos. Elementos essenciais para qualquer comemoração. A armadura exige sempre a minha presença. Criei algo com que posso ganhar dinheiro sem ter que participar, efetivamente.”.
E para 2017, Alexandre continua com grandes planos para o robô. “Quero fazer um show novo, que resgate não somente os anos 80 como também os anos 60 e 70. Quero também que O Iluminado seja microfonado para ter maior interação com o público”.
Com relação ao bolo, Alexandre adianta que pretende fazer contratos de exclusividade com alguns bufês da região. Além disso, fala com otimismo da possibilidade de levar seu projeto para o exterior. “Tenho interessados no bolo na Bélgica, Espanha e França. Existe ainda a possibilidade de levá-lo a Nova York”. De um simples projeto criativo, eis que surgiram novos desafios.

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