La bella Marina

Ela encanta visitantes com o clima familiar e cortês dos seus ambientes, repletos de capricho paisagístico, em meio ao inebriante cenário de Mata Atlântica da Serra do Guararu, à margem do canal de Bertioga. Fundada no Guarujá em 1975 e, desde os anos 1980, mantida por Juan Alfedo Rodriguez e sua família, a Marinas Nacionais tem o legado de ser a primeira marina do Brasil e, ainda, de estar entre as quatro do país que possuem a certificação Bandeira Azul, concedida pela Foundation for Environmental Education– Fundação para Educação Ambiental (FEE) -, para praias e marinas de todo o mundo.

De início, havia apenas uma casinha na entrada de uma área de 150 mil m², uma maquete das instalações projetadas e a visionariedade de Juan Alfredo Rodriguez, um empresário argentino radicado no Brasil desde 1972. Nas suas palavras, “era inadmissível que um país com uma costa desse tamanho e essa quantidade de praias, não tivesse nenhuma marina bem estruturada”. O sócio-administrativo da Marinas Nacionais tinha como referência a tradição náutica da Argentina, muito mais avançada do que a brasileira.

O crescimento não foi rápido, mas o empreendimento alcançou o reconhecimento por seu padrão de nível internacional, endossado por nomes expressivos como o velejador Torben Grael, habitual frequentador.

Hoje, o espaço divide-se entre 71 mil m²de reserva ambiental e 79 mil m² de área ocupada, comoito hangares, que guardam 600 embarcações, e píeres e dársenas, bacias de atracação, para outros 163 barcos. A infraestrutura é impecável, incluindo heliponto e estacionamento para helicópteros.

Mas a realidade é que, ao adentrar à marina, é como estar num clube de lazer. Tudo foi feito para proporcionar descontração e relaxamento, em vez da sensação de se estar em uma grande e bem equipada garagem de barcos.

A piscina exclusiva para os clientes está sempre movimentada, especialmente nos fins de semana. E a sauna seca é muito frequentada. Os usuários contam com vestiário completo, podem relaxar na sala de leitura enquanto as crianças brincam no playground, e dispõem de sinal wireless em todas as áreas sociais, dotadas de acessos para cadeirantes. Diferentemente do que ocorre na maioria das marinas brasileiras, muitos passam a noite em seus barcos para aproveitar melhor o tempo em passeios.

Para completar, há o Restaurant La Marina, integrado por um salão climatizado, um quiosque aberto, no qual se desfruta de bufê de café da manhã nos fins de semana, e uma loja de conveniência, que tem até legumes orgânicos para venda.

A localização do restaurante é a mais especial de toda a marina. Fica no jardim, com tentadoras espreguiçadeiras à beira d’água, que seduz visitantes com a vista para a Serra do Mar em contraste com o design arrojado dos barcos modernos ali ancorados. E, o melhor de tudo, o La Marina é aberto ao público.

Comandado por Felipe Cruz, chef de cozinha e gestor da casa desde 2011, o La Marina é o que se pode chamar de um restaurante com identidade. Entre os destaques, a utilização de frutos do mar e peixes de água doce e salgada frescos, de fornecedores locais, legumes orgânicos de agricultura familiar, e frutos da Mata Atlântica, como o cambuci, fornecido pelo Instituto Auá, mantenedor da Rota do Cambuci, da qual o La Marina faz parte.

Uma conquista trabalhosa

 

Obter a certificação Bandeira Azul, concedida pelaFoundation for Environmental Education– Fundação para Educação Ambiental (FEE) -, para praias e marinas de todo o mundo, não é fácil. Para conquistar esse selo de excelência ambiental, internacionalmente respeitado, há que se atender a rigorosos critérios nos setores da qualidade das águas, informação e educação ambiental, gestão ambiental e serviços de segurança.

É preciso se inscrever, promover melhorias e adequações, passar por uma auditoria, ter a aprovação do comitê nacional, sob a coordenação do Instituto Ambientes em Rede,representante da FEE no Brasil, e, depois, do conselho europeu da entidade.

Foi o que fez a Marinas Nacionais, do Guarujá. Inscrita em 2012, no fim de 2013 ganhou o direito de hastear por um ano a Bandeira Azul, desde então mantida no alto do mastro, à beira do canal de Bertioga, agora em sua quarta temporada consecutiva, iniciada em dezembro de 2016. E não se pretende baixá-la.

No Brasil, apenas quatro marinas têm a Bandeira Azul.  No estado de São Paulo, a Marinas Nacionais é a única. Localizada em uma Área de Proteção Ambiental (APA), reserva de Mata Atlântica, fica aos pés da Serra do Guararu, cortada pela estrada Parque do Guararu, entre o oceano e o canal de Bertioga, de frente para a Serra do Mar.

A beleza natural do entorno da marina é tão espetacular, e são tantos e tão visíveis os caprichosos cuidados da família de Juan Alfredo Rodriguez com o empreendimento, que a Bandeira Azul torna-se um aspecto integrante da paisagem. Mas não é. As exigências da FEE são complexas. E pelo tipo de serviços prestados por uma marina, é necessária a participação não apenas de funcionários – nela, há 120 –, mas, principalmente, dos clientes, os donos dos barcos lá guardados, dos marinheiros que cuidam deles, e dos fornecedores de produtos e serviços.

Juan Alfredo Rodriguez explica: “A necessidade de repassar a importância da preservação da natureza que nos cerca às novas gerações é um dos motivos pelo quais nos interessamos em conquistar esse selo. Nosso maior desafio não foi conquistar, mas manter a certificação, já que a conservação da Bandeira Azul depende também de todos os frequentadores.”

Além de investimento financeiro e em mão de obra adequada para atender às muitas e detalhadas especificações técnicas de documentações e às exigências de diversas leis ambientais, é preciso ter o investimento humano, com o envolvimento de todos que participam da vida em uma marina.

E isso a Marinas Nacionais conseguiu com trabalho e determinação. Durante quase dois anos, a gestora ambiental Leila Pio, hoje analista ambiental, e a gestora de desenvolvimento empresarial Daniela Silva, hoje consultora da marina, comandaram a implantação das mudanças necessárias.

Simultaneamente, aprimoraram outras iniciativas, que já existiam, como coleta seletiva de lixo, orientação de funcionários para não haver derramamento de combustível na hora de abastecer barcos e motonáuticas, e sinalização de limite de velocidade com boias no canal de Bertioga. Embarcações muito velozes provocam ondas nocivas aos vitais manguezais das margens, além de potenciais acidentes entre barcos ancorados no leito do canal ou em abastecimento.

Todo o trabalho foi desenvolvido já nos moldes de gestão ambiental, um dos quatro grupos de critériosda FEE. “Foi uma mudança cultural”, sintetiza Leila.

Segurança, educação e água

No setor da educação ambiental, foram feitas campanhas explicando aos funcionários, aos clientes, aos seus marinheiros e aos fornecedores, como proceder para ser ecologicamente correto. E anualmente são realizados eventos no Dia Mundial da Água, em março; no Dia do Planeta Terra, em abril; no Dia do Meio-Ambiente, em junho, com a sempre concorrida distribuição de mudas de espécies da Mata Atlântica; e no Dia de Defesa da Fauna, em setembro.

No setor da segurança, foram instaladas boias em torno das dársenas e nos píeres foram colocadas escadas, para a eventualidade de alguém cair na água. A marina conta com bombeiro civil, brigada de incêndio e tem 29 hidrantes e tanques de água reserva para eles. Isso porque incêndios de barcos estão entre os mais impactantes acidentes ambientais para rios, canais e oceanos, pela quantidade de produtos tóxicos que liberam.

No setor de qualidade das águas, os cuidados começam com o lixo. Ele já vem separado dos barcos que voltam dos passeios, e na marina só há dois tipos de lixeira, uma para dejetos orgânicos e outra para o restante, que é separado na área de gerenciamento de resíduos e encaminhado a empresas que trabalham com recicláveis.

Já os resíduos resultantes de manutenção pesada de barcos, como raspagem de cracas (organismos marinhos hermafroditas que aderem aos costados dos que permanecem na água e se multiplicam com incrível rapidez), aplicação de tinta venosa para protegê-los delas, ou a pintura de cascos, são recolhidos por uma empresa especializada que os leva para o adequado processamento. E essa manutenção não pode ser feita na água, só em terra.

Outra coisa que não se pode fazer na marina é descartar resíduos resultantes do uso de pias, chuveiros e banheiros dos barcos. Hoje apenas embarcações maiores, tecnologicamente sofisticadas, e mais recentes, já fazem o tratamento biológico desses dejetos a bordo. Na maioria dos casos, esse material é retirado das caixas assépticas das embarcações por um equipamento de sucção, que o despeja para tratamento biológico na marina.

Na região não há rede de esgoto, e a Marinas Nacionais também não recebe água da rede pública. Usa água outorgada, sob licença do Departamento de Águas e Energia do Estado de São Paulo (DAEE), captada em nascentes localizadas dentro de sua área, na Serra do Guararu. Aliás, é no campo hídrico que reside a evolução do programa Bandeira Azul na Marinas Nacionais. A meta é captar e utilizar toda a água da chuva, bem abundante na região.

“A certificação é importante para a Marinas Nacionais. Nesse tempo em que todos querem comprar valores agregados, nós agregamos a preocupação ambiental aos nossos serviços. E acabamos quebrando o paradigma de que toda marina é poluidora. Mostramos que pode não ser”, conclui a analista ambiental Leila Pio.

 

Prevenção

A marina mantém um grupo de emergência ambiental. Dispõe de estoque de materiais absorventes, para eventuais acidentes com derramamento de óleo. Possui 65 metros de barreiras de contenção para cerco preventivona água. E, anualmente, promove ensaios simulados de emergência com a participação de órgãos ambientais.

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