Hora de investir no exterior

Quem não gostaria de se sentir em casa apesar de estar em outro país? Ou mesmo ter uma casa próxima aos parques da Disney, e ainda ganhar dinheiro com o imóvel? Quem acha que esse sonho é impossível, engana-se. Ele pode estar mais perto do que se imagina

Gisela Bello

Há cerca de cinco anos, o consultor para investimentos imobiliários nos Estados Unidos, Luiz Carlos Oliveira, viveu a experiência que milhões de brasileiros gostariam de experimentar: a de comprar um imóvel, em um condomínio fechado, bem pertinho dos parques da Disney. “Estava com minha família a passeio visitando Orlando quando nos foi apresentada a possibilidade da compra de uma casa, próximo ao complexo Disney. Eu e minha mulher nos surpreendemos com a facilidade, agilidade e valores e, depois de um tempo, decidimos fechar o negócio”, relata Oliveira.
A experiência de comprar uma residência em Kissimmee foi extremamente positiva. Durante um período do ano a casa fica para a família e, em outro período, é colocada para locação. Com o valor recebido dos aluguéis, Luiz Carlos já pagou o imóvel.
Por querer compartilhar a experiência vivida e dirimir as dúvidas iniciais que tinha antes de comprar a casa nos EUA, comuns a muitos de seus amigos, Luiz Carlos desenvolveu uma consultoria especializada neste tipo de investimento, a BRA Strategy USA. “O meu trabalho é mostrar, para todos, as melhores oportunidades: como e onde comprar; como fazer na hora de financiar um imóvel nos bancos americanos; as facilidades; os cuidados que se deve ter na hora de fechar um negócio e oferecer uma rede completa de apoio ao investidor”.
Segundo informações do Banco Central é cada vez maior o número de pessoas que compram imóveis no exterior. Seja para passar férias ou para investir, entre 2007 e 2015, houve um salto de 201% no valor aplicado neste tipo de operação. Os Estados Unidos concentram quase 40% dos imóveis comprados por brasileiros e os motivos, segundo os analistas, são por ser um destino de férias, por causa do mercado estar em aquecimento, e o crédito mais barato. “A Flórida, por exemplo, é um dos estados mais procurados pelos brasileiros, destaca Luiz Carlos, consultor da BRA Strategy USA. Os investimentos no setor imobiliário já ultrapassaram US$ 2 bilhões e representam 6% do total de imóveis adquiridos. O turismo é a principal fonte de renda: são mais de 113 milhões de visitantes por ano, 68 milhões visitaram Orlando, destes, 1,5 milhão de turistas brasileiros que gastaram mais de US$ 1,6 bilhão.
Carlos Meschini, diretor regional do Secovi – Sindicato da Habitação -, na Baixada Santista, diz que a alternativa de investimento nos Estados Unidos, ou em alguns países da Europa, como Portugal e Espanha, tem relação direta com a estabilidade da moeda do país escolhido, a opção da expansão patrimonial e a facilidade da língua. “A instabilidade política e econômica que o Brasil tem vivido nos últimos anos contribuiu para esse número aumentar, e pode ficar ainda pior, dependendo do resultado das eleições do ano que vem”.
Uma recomendação da direção do Secovi é que a família, antes de mudar, visite algumas vezes o país escolhido, seja nos Estados Unidos ou na Europa, e verifique com um profissional capacitado e credenciado toda a documentação necessária. Outra dica é para aqueles que deixam imóveis no Brasil: “Muitos clientes investem em casas ou apartamentos lá fora sem vender as propriedades que têm por aqui. É importante contratar um profissional qualificado e de confiança para que administre os bens que ficaram”.
A corretora de imóveis Regina Peixoto Torres trabalha no mercado há quinze anos e embarcou para Orlando em novembro, para visitar alguns condomínios que estão sendo lançados por lá. Junto com o marido Aldo Torres Júnior, que também trabalha no mercado imobiliário, há vinte anos, pretende disponibilizar a seus clientes essa alternativa de investimento no exterior. “Os países mais procurados são USA e Portugal, e o perfil dos compradores são os casais com filhos pequenos e adolescentes, tentando fugir da violência e dos altos gastos sem retorno no Brasil”, conta Regina. Ela também enfatiza a comodidade dessas residências: “Com certeza, a infraestrutura de um condomínio fechado e a segurança contam muito na hora da compra”. O retorno financeiro vale a pena, mesmo com o dólar em alta. O valor dos imóveis e as parcelas de um empréstimo bancário são melhores nos Estados Unidos do que no Brasil. Regina e Aldo também não descartam a possibilidade de comprar uma casa em Orlando para investir e passar férias.
O empresário Raphael Lopes, assim como Luiz Carlos Oliveira, percebeu uma oportunidade de unir lazer e negócio ao comprar, há quatro anos, um imóvel em Orlando. “A compra de uma casa em outro país foi um divisor de águas na minha vida. Sou um apaixonado pela cidade e toda infraestrutura que ela oferece e, com isso, consegui diversificar meus investimentos nos EUA, país que tem uma economia estável e uma base sólida”, conta Raphael. Ter uma fonte de renda extra, com as locações da casa, e poder aproveitá-la junto com a família e amigos nas férias é um dos fatores que levam muitos brasileiros a investir no exterior.
O advogado Marcelo Vallejo Marsaioli está prestes a fazer parte desse time. Ele viaja com frequência para o exterior e esteve recentemente hospedado com a família em uma casa em Orlando. “Além da facilidade de ir e vir dos passeios nos parques, minha esposa e meus filhos gostaram mais de ficar em um condomínio do que em um hotel, por causa especialmente do espaço físico e da comodidade”, conta Marcelo. A possibilidade de investir em uma residência fora do país está bem próxima de acontecer e, na visão do advogado, o que leva uma pessoa a investir parte do patrimônio no exterior é a certeza de haver demanda para o negócio.
A realidade da diretora de escola Ana Paula Alves é bem parecida com a de Marcelo. Junto com o marido Reinaldo Alves e as filhas, costuma viajar bastante para outros países e, no roteiro, os hotéis ainda são os pontos de descanso da família. Mas, recentemente, Ana Paula conta que viveu uma experiência diferente e positiva ao ficar em uma residência no estado da Flórida: “A vantagem é que você se sente como se estivesse na sua casa de veraneio. Você tem à disposição toda estrutura que necessita, é mais confortável e bem maior que um quarto de hotel. Lembro que encontramos alguns amigos por lá e os convidamos para um churrasco. Se estivéssemos em um hotel, ou mesmo em um resort, isso não seria possível”. A família Alves pensa investir futuramente em uma casa nos EUA, como conta Ana Paula: “A estrutura já está toda montada nos arredores; tem demanda e teremos a oportunidade de nos relacionar com vizinhos de várias partes do mundo”.

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