Guarujá amplia perfil turístico

Na data de seu aniversário, a bela cidade do litoral paulista festeja junto com seus moradores e turistas novidades que vão muito além das belas praias

Luciana Sotelo

Basta fazer um solzinho e a história se repete. Estradas congestionadas, balsas a todo vapor e areias lotadas. Num cenário de 27 praias e muita badalação, Guarujá é rota obrigatória para quem busca o litoral paulista e quer curtir o ano inteiro em alto estilo. Ninguém quer ficar de fora, afinal, trata-se da charmosa Pérola do Atlântico, cidade conhecida internacionalmente por suas belezas naturais.
Agora, prestes a completar 83 anos de emancipação político-administrativa, em 30 de junho, o município busca meios para ampliar seu perfil turístico e convida a todos para apreciar as novidades. Isso mesmo! A ideia é ir além da orla para resgatar histórias perdidas no passado ou, ainda, dar uma pitada de adrenalina no cotidiano.
Ingredientes não faltam: construções que remontam à Segunda Grande Guerra Mundial, trilhas em meio à Mata Atlântica, parque de esportes radicais, um dos principais aquários do país, além de um ponto turístico, que concorre ao título de patrimônio da humanidade. Tudo isso contemplado com a maior rede hoteleira da Baixada Santista.
A prefeitura local deu uma mãozinha e criou uma nova receita para fomentar o turismo, com mais e diversificadas opções. Quem garante é a secretária de Turismo Thais Margarido Alencar Fortes: “Esse é, sem dúvida, nosso maior esforço. Queremos mostrar que a cidade não se restringe às suas praias. Guarujá é muito mais do que isso”.
E entre as histórias antigas da cidade a ser redescobertas, uma delas fica bem escondida: no alto de um morro, encravada entre as rochas, numa área de 2,1 milhões de metros quadrados de mata. Depois de seguir as pistas, você vai descobrir o Forte dos Andradas, construção utilizada durante a 2ª Guerra Mundial para proteger o porto de Santos de possíveis ataques.
Tido como a última edificação defensiva construída no Brasil, o forte foi projetado em 1934 e inaugurado em 1942. Na estrutura, manteve, até 1972, o Quartel de Paz, no qual funciona até hoje a 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea do Exército Brasileiro. Segundo a historiadora Patrícia Wanzeller, servidora civil do Exército e coordenadora do projeto de revitalização do Parque Turístico, Ecológico e Histórico do Forte dos Andradas, “a construção da fortaleza, em conjunto com o Forte de Itaipu, em Praia Grande, tinha por objetivo proteger a entrada da barra de Santos, principalmente, dos navios alemães”.
Outros detalhes nas palavras do coronel Jorge Wanzeller, gestor da iniciativa: “O Forte foi reaberto ao público em abril do ano passado; nós assumimos a proposta de revitalização em março. Vamos renovar sua tipografia, contextualizar melhor os fatos históricos e deixar clara a importância do porto de Santos naquele contexto”.
Para isso, diz a historiadora que novos espaços serão montados. “Teremos a sala dos Pracinhas, com acervo da 2ª Guerra Mundial. Vamos montar uma exposição de fotos da época da construção do Forte, entre outras coisas. Tudo para manter viva a memória desse importante capítulo da nossa história”.
Se você já ficou curioso, tome nota do endereço: rua Horácio Barreiro, s/n, na praia do Tombo. O passeio começa com uma trilha estreita de dois quilômetros de extensão e contato direto com a natureza. “Nesse caminho, em meio à Mata Atlântica, há quase 70% das espécies de fauna e flora de mata nativa. Além disso, na reserva, temos uma área de mata primata”, comenta Patrícia.
Ao chegar ao quartel, um longo túnel de 200 metros de extensão conduz a uma verdadeira viagem no tempo. O ambiente, que servia como base de operações, tem diversas salas preservadas. Basta fechar os olhos e imaginar como era a movimentação por ali. Tem banheiro, cozinha, alojamento, enfermaria, usina com gerador de energia, paiol, sala de cálculos balísticos, elevadores de transporte de munição e muito mais.
Com a ajuda de monitores, é possível desvendar curiosidades, como a que conta o sargento Santos Silva: “Durante o tempo que funcionou a enfermaria, os casos mais frequentes eram de doenças respiratórias e mordida de animais peçonhentos”. E o melhor da atração é revelado no final. Na parte mais alta do morro ficam quatro canhões de calibre 280mm, que eram abastecidos com granadas de 300. Com alcance máximo de 12 quilômetros, o material bélico foi utilizado pela última vez em 28 de janeiro de 1972, num treinamento, quando 32 granadas foram lançadas contra um reboque a oito quilômetros da costa. “Curioso é que os canhões foram comprados num acordo entre o Brasil e a Alemanha. Compramos os canhões da Alemanha para possíveis ataques da Alemanha”, salienta Patrícia.
Além de conhecer de perto os equipamentos, a vista panorâmica do alto do morro é um convite à contemplação. Outro ponto de destaque, segundo o coronel Jorge, é o binômio conhecimento/segurança. “A pessoa, aqui, pode ficar tranquila, tirar fotos, ficar relaxada, sem medo. O turismo militar vem crescendo no mundo todo. No mês passado, recebemos em torno de mil visitantes. A nossa meta é aumentar ainda mais esses números”.
O passeio é gratuito e deve ser agendado pelo e-mail: rpbrigada@gmail.com. São formados grupos de 50 pessoas por vez. A visita acontece às terças, quintas e sextas-feiras, e aos sábados e domingos, em dois horários: das 9h30 ao meio-dia, e das 14h30 às 17 horas.
Para a secretária de Turismo Thais Margarido, o equipamento é de extrema importância. “O turismo histórico cultural fica muito mais rico com essa parceria. Levamos a proposta de o túnel funcionar todos os dias. Isso vai enriquecer as opções de lazer para quem quer conhecer a história da cidade”.

Patrimônio mundial
Ao falar em riqueza, outro ponto turístico merece destaque. Trata-se da Fortaleza da Barra Grande de Santo Amaro, um dos principais monumentos históricos de Guarujá, e que concorre, atualmente, ao título de Patrimônio Mundial pela Unesco. Pudera! Erguido em 1584, ele é considerado o mais expressivo conjunto arquitetônico-militar do estado de São Paulo e baluarte de um complexo de fortificações coloniais erguidas para proteger o porto de Santos. A edificação militar, reconhecida em 1964, como Patrimônio Histórico Nacional, pelo Iphan, defendeu o Brasil em diferentes momentos, desde a época colonial até a República.
Alguns episódios foram significativos: em 1591, protegeu a região contra o corsário inglês Thomas Cavendish; em 1615, contra o corsário holandês Joris Van Spilbergen; em 1770, no seu apogeu, dispunha de 28 canhões. E em 1893, cumpriu sua última missão de artilharia, contra o cruzador República, na Revolta da Armada.
Administrada atualmente pela prefeitura do Guarujá, em consonância com o Condephaat e Iphan, a fortaleza abriga o primeiro museu da cidade e é motivo de muito orgulho, como ressalta a secretária de Turismo: “Esse equipamento turístico atrai historiadores, curiosos e amantes da história brasileira. Mantemos desde a limpeza do local até as visitas monitoradas”.

Uma pegada radical
Mas se você procura algo mais radical, aquele friozinho na barriga, Guarujá também se encaixa na sua programação. “O turismo de aventura é uma das nossas estratégias. Hoje, temos um parque exclusivo, com total infraestrutura. Assim, fomentamos o turismo o ano inteiro”, destaca a secretária.
A boa pedida é o Parque do Conde – Ecoturismo e Aventura. Localizado em uma Reserva Particular de Patrimônio Natural, no Km 14,5 da estrada Guarujá Bertioga – Serra do Guararu, o equipamento de ecoturismo fica em um trecho de 43 hectares de Mata Atlântica, na qual o visitante tem contato direto com a natureza e pode praticar esportes radicais. O espaço, administrado pelo Instituto Litoral Verde, oferece um observatório de pássaros, trilhas, tirolesa, arvorismo e parede de escalada.
Os passeios são monitorados por guia turístico e um biólogo. Durante a caminhada, os visitantes conhecem as espécies da flora e os pontos históricos dentro da área de preservação ambiental. Animais como esquilos, bichos-preguiça, lagartos, tucanos, entre outros, encantam os olhares dos visitantes. Com duração de uma hora, as trilhas são divididas em três níveis de dificuldade: leve, moderado e difícil. A tirolesa tem 100 metros de via e 30 metros de altura, já a parede de escalada tem 7 metros de altura.
O parque funciona de terça-feira a domingo, das 9h às 17 horas. A entrada é gratuita e os passeios variam entre R$ 40,00 e R$100,00. Crianças até 7 anos não pagam. Informações pelo telefone (13) 9881 56471.

Acqua Mundo
Que tal observar os peixes, explorar a vida marinha e conhecer diferentes ambientes aquáticos? Tudo isso fica na praia da Enseada, num dos maiores aquários da América do Sul. O empreendimento privado oferece aos visitantes 49 recintos com representações de vários habitats marinhos e terrestres. Com 1.446.560 litros de água e área de 5.775m², o Acqua Mundo é um complexo de entretenimento cujo destaque é o tanque Oceano, com 800 mil litros de água salgada, construído especialmente para a exposição de grandes cardumes e peixes de mar aberto, como tubarões oceânicos.
O Acqua Mundo expõe várias espécies de animais aquáticos, representativos dos mais diversos ambientes e grupos zoológicos – tubarões; pinguins e outras aves aquáticas; peixes de águas doce e salgada; tartarugas; e répteis como lagartos, jacarés e cobras. No total, são 180 espécies de animais em um total de cerca de 3 mil animais em exposição.

Turismo náutico
E como Guarujá está situada em uma ilha, a cidade tornou-se um polo do turismo náutico. Não é à toa que é considerada a capital dos barcos, em São Paulo. “Oferecemos o maior número de garagens náuticas e marinas com infraestrutura apropriada. Isso nos permite propagar esse segmento”, afirma Thais Margarido, que tem como meta criar um roteiro turístico e histórico para atrair os proprietários dos barcos e iates que chegam à região. “Estamos estudando a possibilidade de promover o I Encontro de Turismo Náutico da Região da Costa da Mata Atlântica, que envolve os nove municípios da Baixada Santista. O intuito é criar um roteiro turístico náutico diferenciado. Isso permitirá que os proprietários das embarcações possam navegar com segurança por toda região”.

Projetos futuros
Para a Pérola do Atlântico não faltam projetos. A Secretaria de Turismo estuda várias ideias, entre as quais o Guaru Tour (passeios em veículos climatizados, com guias turísticos, com dois roteiros distintos: praia e história); a reabertura da Ilha dos Arvoredos para visitas monitoradas (uma pequena ilha administrada pela Fundação Lee, que virou laboratório científico, com centro de tratamento para animais marinhos); programa de capacitação para guias de turismo trainee dirigido a jovens entre 14 e 18 anos, e que possam acolher os turistas; viabilidade de Guarujá ter um Centro de Convenções para investir no turismo de negócios; e a criação de um parque aquático.
É bom investir no turismo quando a retaguarda está a favor, finaliza Thais Margarido, ao falar da rede hoteleira à disposição na cidade. “Hoje, o Guarujá dispõe de cerca de 10 mil leitos, lembrando que temos grandes resorts como o Sofitel Jequitimar e o Casa Grande Hotel, vasta rede hoteleira e também pousadas”.

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