Esperança de recomeçar

 

O ano de 2017 começou com muitas expectativas. Após uma onda de crises, a esperança é que o mercado se aqueça e aos poucos essa fase vire apenas algo histórico. Em vista disso, a Pantone, autoridade máxima em matéria de cores da moda e do design, apresentou no início do ano a cor que comandará as passarelas e vitrines na primavera/verão 2017: verde greenery (folhagem). A cor representa a esperança e renovação; tempo de deixar para trás todos os problemas que o mundo passou em 2016. Ela representa leveza e conexão com a natureza, mostrando uma nova fase, um novo jeito de pensar e de encarar os momentos que estão por vir.
A cor greenary e seu tema de renovação trazem uma incrível lembrança de uma das maiores marcas da moda do mercado, a Chanel. Introduzida no início do século XX, período da Primeira Guerra Mundial (1914/1918), momento que marcou, pela primeira vez, o poder das mulheres, devido à partida dos homens para os campos de batalha. As mulheres passaram a ser as responsáveis pelo lar; elas deixaram de ser donas de casa e foram às ruas, para trabalhar, estudar e lutar pelo sustento de suas famílias.
É nessa época que Coco Chanel abre sua loja e revoluciona apresentando modelagens retas, soltas e minimalistas, que proporcionavam conforto e leveza às mulheres, que estavam ali para conquistar o mundo, e deixava para trás a estrutura estática da Belle Époque, que as tornavam apenas peças a ser apreciadas.
No período interguerras, entre o final da Primeira e início da Segunda Guerra Mundial, Coco Chanel viu seus sonhos despencarem, por causa da crise têxtil – tudo se referia ao militarismo, tanto o material utilizado para os tecidos, quanto as cores. Foi um período difícil, que atingiu todas as Maisons existentes e fez com que Coco Chanel declarasse falência e até mudasse de profissão. Após o fim da Segunda Guerra, Chanel recomeçou e, mais uma vez, adaptou-se ao novo tempo. A indústria têxtil ainda era tímida e pouco diversificada. Chanel então lançou o básico, o novo chique – o pretinho básico -, que até hoje é a sua marca registrada.
A história de Coco Chanel confirma a máxima de que a moda sempre anda em círculos. Ela vai, volta, mostra que sempre há algo a ser melhorado, inspira admiradores e, até mesmo, leigos no assunto. A moda não é apenas um look do dia, ou uma peça a ser adquirida, mas, sim, o desenvolvimento da história.
De volta aos anos atuais, e demonstrando essa história em forma de vestuário, a cor Greenery, além de todo seu fundamento, também alegra as passarelas e dá vida ao novo estado de espírito .

 

* Daniele Farias é estilista de moda

Related News

Comments are closed

Revista Beach&co