Café com história

Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente empresta sabor à Casa do Barão, um novo cantinho especial para momentos de cultura e de prazer

Luciana Sotelo

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. Além disso, a bebida está presente em 98% dos lares brasileiros. Em 2015, cada cidadão tomou uma média de 81 litros/ano, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). As estatísticas só comprovam o que a gente vê em toda esquina. O famoso cafezinho é mesmo uma boa pedida. Agora, imagine poder adoçá-lo com história e muita cultura. E ainda, ao som do canto dos pássaros! O convite parece irresistível. Esse é o clima do Café do Barão, o mais novo espaço gastronômico de São Vicente.
Ele foi inaugurado em 4 de fevereiro e funciona na Casa do Barão, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. A novidade faz parte das comemorações dos 58 anos da instituição, criada em 1959 e que, desde 1974, é a mantenedora do casarão, localizado em ponto nobre, em plena rua Frei Gaspar, 280, no centro da cidade.
A ideia é fomentar a cultura num ambiente agradável, uma casa de 1890, rodeada de verde e de muita tradição, afirma Fábio Lopez, secretário de Cultura do município. “Nessa nova gestão, tenho procurado fazer uma grande associação de todos os equipamentos culturais, sejam eles públicos ou de entidades. Essa nossa parceria com o Instituto é perfeita. Esse cafezinho é um mimo, um algo a mais para quem vive cultura e procura um espaço de paz e tranquilidade”.
No cardápio, além dos cafés (expresso, aromático, gelado e cappuccino), há água, refrigerantes, chás, sucos, energéticos, isotônicos. E para deliciar, as opções são as tortas, bolos, sanduíches naturais e o pão de queijo quentinho, contam os administradores José Estefano Rodrigues Simone e sua mulher Soraia Teobaldo Simone. “Aqui tudo é feito com muito carinho para o cliente aprovar e voltar sempre”.
De segunda a sábado, das 9 horas às 17h45, oferece aos visitantes jornais do dia, revistas e também rede wi-fi. Com capacidade para 80 pessoas sentadas, o cafezinho tem um cantinho especial, em homenagem ao Empório Boa Vista, que funcionou por 70 anos, substituído, posteriormente, pelo restaurante Boa Vista, um dos estabelecimentos mais tradicionais da gastronomia vicentina, fechado ano passado, após mais de cinco décadas de serviços prestados. De acordo com o presidente licenciado do IHGSV e também secretário adjunto de Cultura de São Vicente Paulo Eduardo Costa, “todas as mesas e cadeiras do Café do Barão foram do restaurante. Vamos deixar em exibição também um cardápio e outros utensílios”.
O casal de corretores Silvio Luiz Mathias e Cinthia Gomes Antunes já se considera cliente da casa. Pelo menos uma vez por semana estão por aqui para saborear as delícias do menu, preferencialmente, o cappuccino gelado. “Nesse calor, nada melhor que unir a paixão pelo café a essa bebida refrescante. Esse local é maravilhoso”, conta Silvio. Cinthia lembra com saudade que o seu falecido pai adorava visitar o Instituto e que deixou esse agradável legado. “Eu sou de Santos, mas amo vir aqui. Estou até pensando em pedir para servirem almoço, porque tudo é muito bom”, admite.
A jornalista Noemi de Macedo não abre mão do conforto de tomar um cafezinho na única área verde do centro da cidade. “É um privilégio, aqui a gente consegue ter até mais disposição e inspiração. Existia uma dificuldade grande em encontrar um estabelecimento como este por aqui. Agora estamos bem servidos”. A aposentada Verbena Souza Nascimento gostou tanto da novidade que já faz propaganda. “Eu estou sempre por aqui. Há 15 anos vim morar em São Vicente e, desde a primeira vez que vi esse casarão, me encantei. O Café veio para melhorar o que já era bom, eu recomendo para todo mundo”. A filha Tatiane Souza Paschoal seguiu a dica da mãe e ficou satisfeita. “Adorei poder saborear um lanchinho em meio a essas árvores, num local muito fresquinho. Também recomendo”.

Ingredientes de sucesso
Ao redor do Café do Barão há um complexo cultural formado pela Biblioteca Francisco Martins dos Santos, o Memorial Frei Gaspar da Madre de Deus, Memorial José de Anchieta, Galeria Célula Mater, Biblioteca Municipal e a Casa do Barão. Trata-se de um grande acervo reconhecido como um dos principais patrimônios arquitetônicos de São Vicente, num total de 1.700 metros quadrados de área construída e terreno de 6.500 metros quadrados de extensão e muita vegetação.
Por ser o maior casarão remanescente do sítio no qual residiam os antigos senhores do café, a Casa do Barão e o jardim têm a garantia de preservação de integridade, por meio do tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico (Condephaat). De acordo com Paulo Eduardo Costa, a primeira casa do local é de 1865 e pertenceu ao coronel José Lopes, intendente de São Vicente. Já a Casa do Barão teve sua construção finalizada em 1890 e pertenceu à família do empresário Theodore Wille. Posteriormente, foi dada como dote ao barão Kurt Gustav Von Prietselwitz, um alemão que adotou a cidade e investiu no mercado cafeeiro e de tecelagem.
O interior da Casa do Barão abriga um acervo rico que reúne 22 mil livros, cerca de 6.500 peças variadas como fotos antigas, cerâmicas, mobiliário, peças de uso pessoal, plantas arquitetônicas, quadros, pedras, animais empalhados, objetos indígenas e muitas outras coisas. “Temos, por exemplo, um Cristo em madeira policromada com 65 rubis, uma peça do século XVIII”, destaca Costa.
Todo esse tesouro está distribuído em 14 salas temáticas do complexo cultural. Vale a pena conferir e, depois, claro, tomar aquele cafezinho!

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