Blog

Programas de verão – Ilhabela

Para quem optar por Ilhabela, a virada do ano será com queima de fogos e show com bandas locais nas praias Grande, do Perequê, da Vila e da Pedra do Sino. Opções mais requintadas são oferecidas pelos badalados hotéis do charmoso arquipélago para as primeiras horas do ano e uma esticadinha na agenda.

Opções para o Réveillon

DPNY Beach Hotel & Spa (foto): Festa de Réveillon com DJ convidado, open bar. Das 23h às 4h. Obrigatório o uso de traje branco. Durante o verão, sunset em várias datas em definição. Reservas: (12) 3894 3000. dpny.com.br.

Sea Club: Réveillon Gypsy, com ilhas gastronômicas do bufê Bendita Cozinha, open bar e performances, a partir das 22h de 31 de dezembro. Em 6 de janeiro, festa Tardezinha com Thiaguinho, com palco sobre a piscina. Em 13 de janeiro, festa Percept Life, com música eletrônica a cargo do DJ Betoko. Em 20 de janeiro, Baile da Glamour, com o funk de McLan. Ingressos na casa e pelo Ticket360. seaclub.com.br.

Casa de Canoa: Festa de Réveillon, com open bar, ilha gastronômica do bufê Marakuthai, e som do DJ Dudu Galvão. Das 22h até o amanhecer. Em 28, 29 e 30 de dezembro, sunset, das 14h às 20h, ao som de Dudu Galvão. Ingressos no local e pelo Ticket 360. casadecanoa.com.br.

Para saborear

Marakuthai: abre normalmente na noite de Réveillon, e traz novidade gastronômica para o verão, com a rainbown salad, composta por 21 ingredientes, inspirada em prato que a chef Renata Vanzetto experimentou no Burma Superstar, restaurante de São Francisco. Finalizada diante do cliente, a salada serve duas pessoas, se pedida como entrada, ou uma, se escolhida como prato principal. No Lambisgoia, bar da casa, as novidades são o ceviche ítalo-peruano, com peixe branco, tomate fresco, limão siciliano, manjericão, pimenta seca e azeitona, e o ceviche de salmão com guacamole, gergelim e chips.

Programas de verão – Caraguatatuba

Caraguá recebe o novo ano com queima de fogos e shows gratuitos, com De Lukka, na praça da Cultura, no centro, e Turma do Pagode, no Centro de Eventos do Porto Novo. A música será mesmo o carro forte da programação do município, tanto do Réveillon, quanto das noites de janeiro, com um grande leque de opções do Festverão, que oferece shows gratuitos na praça de Cultura, no centro, e espetáculos pagos e gratuitos no Centro de Eventos do Porto Novo. Ambos os locais têm camarotes, área vip, Vila Verão, praça de alimentação, food trucks e lounge. Na praça da Cultura, também tem parque de diversões. Os preços dos ingressos para os shows variam de R$ 25 a R$ 120.

Festverão dezembro

Dia 28: Bruno e Barreto e Katinguelê, grátis, na praça da Cultura; Festfunk, comMc Lan, Fiotti, Rahell, CL, Mirella, Lil e Nego Blue, pago, no Porto Novo;

Dia 29: Marcelinho sem Compromisso, grátis, na praça da Cultura; Encontro das Tribus, com as bandas Maneva, Onze20, Oriente e Engrenagem, pago, no Porto Novo;

Dia 30: Thaeme e Thiago e Pedro Paulo e Alex, pagos, no Porto Novo; Royce do Cavaco, grátis, na praça da Cultura;

Dia 31: Turma do Pagode, grátis, no Porto Novo, e De Lukka, grátis, na praça da Cultura.

Festverão em janeiro

Dia 1º: Péricles, no Porto Novo – pago

Dia 2: Cecéu Muniz, na praça da Cultura – grátis

Dia 3: Maiara e Maraísa, pago no Porto Novo; Art e Ofício, na praça da Cultura – grátis

Dia 4: Zé Neto & Cristiano, no Porto Novo – pago

Dia 5: João Guilherme, na praça da Cultura – grátis

Dia 6: Marcos e Belutti, no Porto Novo – grátis

Dia 7: Art Popular, na praça da Cultura – grátis

Dia 11: Wesley Safadão, no Porto Novo – pago

Dia 12: Denis DJ, pago, no Porto Novo; Hugo e Tiago, na praça da Cultura – grátis

Dia 13: Sampa Crew, Roby e Thiago, KellSmityh, na praça da Cultura – grátis

Dia 14: Netinho de Paula, na Casa da Cultura – grátis

Dia 17: Exalta Samba, na praça da Cultura – grátis

Dia 19: Márcio Art, na praça da Cultura – grátis

Dia 20: Almirzinho, na praça da Cultura – grátis

Dia 21: Munhoz e Mariano, no Porto Novo – grátis

Dia 25: CPM 22 (foto), pago, no Porto Novo; Cleverson Luiz, na praça da Cultura – grátis

Dia 26: Doce Encontro, na praça da Cultura – grátis

Dia 27: Rio Negro e Solimões, no Porto Novo – grátis

Dia 28: Samprazer, na Praça da Cultura – grátis

Esporte e lazer

Projeto Reviver de Verão 2018: competições de várias modalidades, brincadeiras de antigamente, lazer e exercícios, entre 6 de janeiro e 4 de fevereiro, nas praias do Indaiá, Centro, Martim de Sá e Cocanha. As atividades incluem aulas de zumba, vôlei de praia, beach soccer, beach tênis, street ball (basquete de rua) e futevôlei, entre outras. O bairro do Indaiá terá uma arena para competições, como o futebol dos artistas.

Com reservas

Costa Verde Tabatinga Hotel
Festa com shows de Larissa Cavalcante e Dudu França; ceia do bufê Vivi Barros com pokes, coquetel, jantar franco americano e sobremesas; open bar com coquetéis, cerveja, espumante e outras bebidas, mesa de café e lanchinho da madrugada. Para a garotada, menu infantil, drinques não alcoólicos e recreação com monitores. Só com reserva. (12) 3884 9339, (11) 3334 4365, reservas@tabatingahotel.com.br, tabatingahotel.com.br

Hotel Costa Norte Massaguaçu
O pacote de cinco noites para o Réveillon inclui a festa da virada do ano no Mar & Terra, o restaurante do hotel, com música ao vivo, open bar e ceia que inclui cascata de camarões e paeja. A festa também é aberta ao público. Tudo de frente para o mar. Só com reserva. (12) 3884 9000 reservas@hotelcostanortemassaguaçu.com.br, facebook.com/mareterrarestaurante.

Programas de verão – Bertioga

A tradicional festa da virada de Bertioga é na praia da Enseada ao lado do Forte São João. Este ano, serão 12 minutos de queima de fogos e show da banda True Colors, com axé music, música sertaneja e sucessos dos anos 1970, 80 e 90, na Tenda de Eventos. Uma novidade na cidade será o show pirotécnico socialmente correto com fogos silenciosos, na Riviera de São Lourenço, em frente ao módulo 5. Serão 10 minutos de cor e beleza.
Ainda na Riviera de São Lourenço, a Vila na Praia é a dica de passeio diário, de 22 de dezembro a 17 de janeiro, das 16h à 1 hora. O espaço conta com parque infantil, food trucks, lojas e bazar, bar e restaurante, e shows musicais de quarta-feira a sábado, na área do viveiro de mudas localizada na avenida da Riviera.

Opções para o Réveillon

Maremonti Riviera: festa de Réveillon das 21h às 4h, com show da banda Shine e pista de dança com DJs. Atrações gastronômicas: abertura com prosecco, coquetel sem álcool, e vinhos tinto e branco italianos; ilhas de caipirinhas, de entradas, de pratos principais e de sobremesas; sopa de lentilhas servida a partir das 2h. Inclusos água, refrigerantes, café e petit fours. Não será cobrada rolha de bebidas alcoólicas não servidas pelo restaurante. Só com reserva e pagamento antecipado por depósito identificado. (13) 3316 7855 e 3316 7508, riviera@maremonti.com.br.

Pucci Riviera: na noite de Réveillon, festa Open Bar Premium, com o DJ residente Marcus Sacchi; com o residente deck Panda; com os DJs convidados Breaking Beattz, Zelig e Alan Liao; e show sertanejo com Alexandre Souza. A partir da 1h. A casa abrirá à 00h10. A Pucci possui área aberta, pista climatizada, camarotes, lounges e área VIP (backstage). De 28 de dezembro a 27 de janeiro, programação de verão, com DJs residentes e convidados, e com shows de artistas como Buchecha; Pixote; Alexandre Souza; Thiago Máximo; Tom & Banda; Rafael Manduca; e Daniel Sbragia. facebook.com/pucciclub.

Pré-réveillon da Sparta Events

Shows do sambista Péricles e da funqueira Tati Zaqui, em 29 de dezembro, e da dupla sertaneja Marcos & Belutti e MC Kevinho, em 30 de dezembro. Na abertura, Diogo Dias; Rominho Cruz; Lucas Camargo; Tom Vieira; Thiago Máximo; e DJ Alex the Joker. Em arena na entrada da cidade. Ingressos: (13)99638 9094 e facebook.com/SpartaEvents.

Opções de verão

Ice Park: de 26 de dezembro a 28 de janeiro, todos os dias, das 17h às 23h, pista de patinação no gelo de 315m², climatizada, em frente ao Shopping Riviera.

Quiksilver Summer Experience: pocket shows; DJs; cinema open air; loja Quiksilver; minirampa de skate; aulas de ginástica funcional; ioga e mat pilates para mulheres; burger table; fish bowl; e drink bar. Todos os dias entre 27 de dezembro e 7 de janeiro e, depois, de quinta-feira a domingo, até o Carnaval, das 17h à 1h. Na avenida da Riviera, ao lado da estação de tratamento de água (Eta).

Nos quiosques da praia da Enseada, das 9h às 20h: aulas de ioga, fit dance, danças regionais, apresentações circenses, teatro de rua, música e oficinas, entre outras atividades; Festival de Rock e projeto musical Tributos, com covers dos Beatles, de Bob Marley e de Tim Maia, nas noites de sábado; intervenções artísticas no Forte São João e no píer Licurgo Mazzoni, na Vila.

Programas de verão – Guarujá

Na Pérola do Atlântico, o show piromusical terá 12 minutos, com 12.340 disparos pirotécnicos a partir de cinco balsas, entre as praias das Astúrias e Pitangueiras. Outra opção para quem curte luzes e sons na hora da virada é a queima de fogos na praia de Pernambuco.

Opções para o Réveillon

Sofitel Guarujá Jequitimar: festa com o tema Las Vegas, com banda ao vivo, e menu elaborado pelo chef francês Patrick Ferry.

Casa Grande Hotel Resort & Spa: coquetel à beira da piscina, das 22h à meia-noite; queima de fogos na praia da Enseada; ceia na piscina; apresentação de DJs; late snack; lanchinho da madrugada; a partir das 4h. O pacote completo é de 28 de dezembro a 2 de janeiro e inclui: 29 de dezembro, das 15h às 23h, shows de Wesley Safadão & Anita, precedidos por apresentação das bandas Shark, Phaser e Eva; 30 de dezembro, das 15h às 23h, apresentação dos DJs Alok & Watermät (Audax, JetLag-Thiago Mansur e Paulo Veloso e Jeeba); 31 de dezembro: 1º de janeiro, brunch Sabores do Mundo, das 11h às 16h. Para a garotada: festa pré-réveillon no dia 31, das 19h às 21h, na piscina da Casa da Criança.

Atrações musicais

On Stage Guarujá: shows de Armandinho, em 29 de dezembro; Marcos e Belutti, em 30 de dezembro; After Party Arena Sunset Jequitimar, com MC Davi e Bred & Breno, em 6 de janeiro; Maneva e 1Kilo, em 13 de janeiro; MC Livinho, em 20 de janeiro. Ingressos: burnonstage.com.br.

Arena Sunset Jequitimar: em 6 de janeiro, funk com Dennis DJ no fim da tarde e show de Maiara & Maraísa. Na arena localizada dentro do complexo Jequitimar, com quatro ambientes: front stage; pista comum; camarote Supremo; um superlounge open bar, com ar condicionado; DJs; atendimento e banheiros exclusivos; e camarotes privativos, para até 20 pessoas. Abertura dos portões às 15 horas. No Carnaval, shows de O Rappa, em 10 de fevereiro, e de Henrique e Juliano, em 12 de fevereiro. Ingressos: Ticket360 e arenasunsetjequitimar. Camarotes privativos: (11) 94374-6487 com WhatsApp.

Opções de verão

Espaço Verão Vivo: na praia de Pitangueiras, com atrações de gastronomia, cinema, teatro, música, atividades de esporte e lazer, intervenções circenses e musicais, feira literária de escritores locais.

Festival Infantil de Teatro e Festival de Comédia: no Teatro Procópio Ferreira, na primeira quinzena de janeiro.

Arena multiuso: com atrações diversas, na praia Enseada, próximo ao Acqua Mundo, no mês de janeiro.

Festival de Cerveja Artesanal e Gastronômico: no estacionamento do Ginásio do Guaibê, em janeiro.

Festa de Iemanjá: na praia da Enseada, seguida de procissão, em 2 de fevereiro. No Centro Esportivo Duque de Caxias (Ginásio do Tejereba), feira afro-religiosa, artigos e artesanatos das principais religiões de matriz africana, em 2 e 3 de fevereiro.

Programas de verão – Santos

A chegada do ano novo em Santos é sempre marcada pelo espetáculo do show pirotécnico embarcado, considerado o segundo maior do país, na categoria. Este ano, serão 17 toneladas de fogos de artifício, distribuídas em dez balsas, que estarão posicionadas entre os canais 1 e 6, a 400 metros da areia e com espaçamento de 450 metros entre cada uma.
Além dos fogos, a cidade ainda oferece as atrações nas tendas ao longo da orla da praia, de 31 de dezembro a 13 de fevereiro, com programação variada, incluindo shows musicais de bandas locais, nas praias da Pompeia (próximo ao posto de salvamento 2); do Boqueirão (em frente à rua Ângelo Guerra); e do Embaré (em frente à rua Osvaldo Cochrane).

Opções para o Réveillon

Clube dos Ingleses: Réveillon Trend 2018, com palco na piscina, cinco bares, quiosque de alimentação, 20 pontos de caixa. Atrações: Edshow (samba e pagode); Gil & Vini (sertanejo); DJs Pernambuco; Rique, Arnone e Tonéra; das 23h59 às 7h de 1º de janeiro. Ingressos: facebook.com/trendentretenimento.

Clube Vasco da Gama: Réveillon Sirena Santos, em dois ambientes, indoor e outdoor, open bar a noite toda, mesa de frutas até 1h. Atrações: DJs Presskit, residentes do Sirena; Nandox e General Tequila; DJs Lou; Di Paulo; Gui Boendia; Fabrício Goulart; Mel Groppo; Jet Life; bateria da Escola de Samba Império da Casa Verde . Das 23 horas às 6h de 1º de janeiro. Ingressos: facebook.com/reveillonsirenasantos.

Hotel Parque Balneário: ceia no Salão Orquídea, gastronomia portuguesa e brasileira, com entradas, pratos quentes, água, cerveja, refrigerantes, espumante para brindar a virada do ano, degustação de café, licores e doces. Música para dançar com DJs. Acesso à piscina na hora do show pirotécnico, no trecho da praia em frente ao hotel. Até 2h de 1º de janeiro. Aberto ao público, só com reservas e pagamento antecipado por depósito identificado, pelo e-mail eventos@parquebalneario.com.br. À parte, café da manhã do hotel acessível ao público, a partir das 6 horas. parquebalneario.com.br.

Opções de verão
Aniversário da cidade

Arena esportiva: com capacidade para duas mil pessoas, de 26 de janeiro a 4 de fevereiro, na praia do Gonzaga, abrigará minicampeonatos de beach soccer, beach tênis e fut7, que serão televisionados pela Sport TV.
Show de aniversário: dia 28 de janeiro, às 20h, na praia do Gonzaga.

Para adiantar a agenda
Carnaval

Carnabanda: em vários bairros, de 26 de janeiro a 13 de fevereiro, das 19h às 21 horas.

Desfile oficial das Escolas de Samba: 2 e 3 de fevereiro, na Passarela do Samba Dráusio da Cruz, ingressos a R$ 10 para quem doar um quilo alimento não perecível.

Carnabonde: bloco puxado por um bonde temático, 10 de fevereiro.

Carnaval no centro histórico: realizado pela primeira vez, em 9 e 11 de fevereiro, até as 18 horas.

Prova de fogo

A maratona aquática mais longa do país, a Travessia 14 Bis, desafia limites e comemora 50 edições

Luciana Sotelo

Praticada desde a Grécia Antiga, e também pelos romanos, a natação existe há milênios. O hábito de nadar é considerado um dos mais completos para o desenvolvimento físico e, no Brasil, é o quarto esporte mais praticado. E quando se fala na modalidade, todo mundo pensa numa bela piscina, com águas calmas e nenhum obstáculo pela frente. Mas, em tempos idos, as competições ocorriam em mar aberto, ambiente no qual surgiu também o desejo no homem de percorrer grandes distâncias a nado.
Nas maratonas aquáticas, as performances física e psicológica unem-se para dar força a cada braçada. Na 14 Bis, a mais longa e tradicional travessia do Brasil, esse entrosamento é fundamental. É preciso coragem e muita determinação para desbravar os 24 quilômetros dessa prova quase ‘cinquentona’, mas com fôlego de adolescente. Com 47 anos de existência e 50 edições realizadas, reúne todos os anos dezenas de apaixonados pelo esporte, com muita história para contar. A maratona deixou de ser realizada apenas em 1984. Por outro lado, em 1970/1992/1993 realizaram-se duas edições em cada um destes anos, daí ela ter 50 edições e 47 anos.
O longo percurso começa nas águas do canal de Bertioga, com largada no Forte São João e finaliza na rampa de acesso da Base Aérea de Santos, em Guarujá, no litoral de São Paulo. No caminho, correntezas, mudanças de temperatura, mangue, águas-vivas, cansaço e, sobretudo, a vontade de chegar e ultrapassar os próprios limites. Com tantos ingredientes, a 50ª edição reuniu número recorde de participantes, cerca de 300, entre atletas profissionais e amadores, como explica Percival Orlando Milani, organizador da 14 Bis e, também, presidente da Associação 14 Bis. “Se você somar os 294 participantes, nadando 24 quilômetros, você tem mais de 7.200 quilômetros nadados. É a maior metragem nadada em um único dia no Brasil”.
Mas ele diz que nem sempre foi assim. Iniciada em 1970, as primeiras edições reuniam bem poucos participantes. Na pioneira, por exemplo, foram apenas quatro. Criada pelo educador físico Mário Bello, a prova surgiu como uma espécie de desafio entre amigos. “Ele era funcionário da Aeronáutica e começou a observar que alguns bombeiros costumeiramente nadavam ali na região. Ele resolveu então fazer uma homenagem à Aeronáutica. Bello e mais três amigos fizeram a travessia, porém, só ele conseguiu terminar. Nos anos seguintes, fez da travessia um hábito, sem sequer imaginar que ela tomaria as proporções que tem hoje”, conta Percival.
Por ter coroado grandes nomes da modalidade, a prova funciona como uma vitrine de novos talentos, já que estamos falando de um esporte olímpico, classificado como tal a partir de 2005, com a primeira disputa realizada em 2008, em Pequim. “Ela também é uma espécie de trampolim para a travessia do canal da Mancha, desafio considerado o ‘Everest’ da natação”, explica.
Com um grande poder transformador, a 14 Bis atrai nadadores de todo país e até do exterior, todos em busca de um diferencial na vida. Foi assim com o próprio Percival, que, antes de começar a nadar, era mais um executivo estressado em busca de motivação para transformar sua vida. E ele encontrou: “Comecei a nadar e precisava de um bom estímulo. Foi então que passei a me preparar para a 14 Bis. Estava nadando há um ano e meio e fiz seis meses de treinamento específico para participar da competição, em 2001. Mesmo assim, foi insuficiente, cheguei um caco, mas peguei a terceira colocação na minha categoria. Dali em diante, você começa a almejar novas metas e provas ainda maiores. Assim, cheguei à travessia do canal da Mancha, muito mais complexo. Fui o nono brasileiro a completar a prova, em 2003, com 41 anos, na época o mais velho atleta não profissional. E tudo nasceu aqui, na 14 Bis. Hoje, 27 brasileiros conseguiram esse mesmo feito”.
Grato por esse novo caminho trilhado, em 2006, paralelo às competições, surgiu outro desafio: encarar a organização da prova, realizada até então apenas pela Aeronáutica. “A prova iria acabar. Foi então que o coronel da Base Aérea me pediu ajuda. Passei a me envolver de corpo e alma. Mas eu brinco, entrei de gaiato no navio!”.
A partir dos anos 1990, a 14 Bis tornou-se mais competitiva, com a participação de atletas de ponta e, consequentemente, mais cuidados na sua elaboração. Percival dá alguns exemplos: “Atualmente, é exigência a presença de um barco ou caiaque de apoio durante todo trajeto. Outro requisito obrigatório é o atestado técnico, emitido pelo técnico ou professor, declarando plenas condições do atleta em nadar todo o percurso. Futuramente, estamos pensando em implantar o rastreamento dos nadadores”.

Sem barreiras

A 14 Bis é uma prova desafiadora por natureza. Dura em média entre 6 a 8 horas (para quem não é atleta de ponta), mas pode chegar ao limite de 10 horas; pode ser praticada por interessados a partir dos 14 anos, sem restrição máxima de idade. Por isso, em 2017, das águas surgiu um grande exemplo de superação, com nome e sobrenome: Rufino Rodrigues de Oliveira, conhecido como tenente Rufino, 85 anos de muita saúde e disposição. Criador da Associação de Salva Vidas do Estado de São Paulo, esse senhor, amigo de Mario Bello, participou da prova, nadou mais de 20 quilômetros, em pouco mais de seis horas. “Tenho medalha e troféu de resistência. No caminho, fui queimado por águas vivas no braço e no rosto. Passei da ponte, mas, a poucos metros da chegada, não pude concluí-la. Mesmo assim, fiquei muito satisfeito em fazer parte dessa história. Considero a 14 Bis a prova dos nove; a pessoa que tem pretensão de participar de competições em águas abertas, e não participa da 14 Bis, não pode dizer que sabe nadar”, afirma Rufino.
Outra particularidade do bombeiro é ter convivido com Mario Bello, falecido no último dia 9 de outubro, aos 76 anos, uma amizade que começou na década de 1950, quando o idealizador da 14 Bis iniciava as tentativas de criar uma travessia entre os oficiais da Aeronáutica. “Se não fosse o meu amigo, nada disso existiria. Ele deu a vida e a sua mocidade por essa prova. Não tenho palavras suficientes para destacar a sua grandeza. Lembro com saudade da última vez que nadamos juntos, uma disputa de três quilômetros, em Ilhabela. Não lembro bem o ano, por volta de 2010 a 2012, mas lembro da felicidade dele em nadar”.

Trampolim para o canal da Mancha

Historiadores contam que, em 1875, o capitão inglês Matthew Webb tornou-se o primeiro homem a cruzar a nado o canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França. Ele completou a empreitada em 24 de agosto, após exaustivas 21 horas e 45 minutos de exercício, em um percurso de 64 quilômetros. A iniciativa serviu de inspiração para outros nadadores, até os dias de hoje, que passaram a percorrer a nado vários pontos do planeta.
Essa mesma paixão contagiou Marcelo Eduardo Teixeira, gerente comercial de um frigorífico na cidade de Boituva, interior paulista. Assim que começou a nadar, o canal da Mancha passou a ser um sonho possível de realizar, afinal, ele já trazia no currículo dois feitos grandiosos de superação: ter se livrado das drogas e ter concluído a 14 Bis. “Meu primeiro contato com a 14 Bis foi em agosto de 2003, quando comecei a nadar para estar ‘limpo’. Conheci duas moças que treinavam para a prova e fiquei louco de vontade de participar. Treinei o resto do ano e também o ano seguinte e fui fazer a travessia em novembro de 2004. Foi maravilhoso, a realização de um sonho”.
De lá para cá, ele já soma 13 participações, pois ficou fora em 2007, quando finalizava um curso de pós-graduação. “Já faz parte de um hábito que adquiri. Meu desenvolvimento na prova foi meu próprio crescimento como pessoa. Fui me preparando fisicamente e mentalmente para isso”. Tal experiência e motivação fizeram dele também um escritor. O livro Chegando a outra margem, recém lançado, retrata em detalhes os caminhos que o fizeram superar os dois maiores desafios: as drogas e a travessia do canal da Mancha. Ao driblar a dependência química, ele criou um lema. “A 14 Bis representa estar saudável, fazer coisas saudáveis perto de pessoas saudáveis. Um estilo de vida saudável. Isso trouxe inúmeras amizades para mim. Hoje, eu sinto que sou uma referência para as pessoas que estão começando. Isso não tem preço, é meu orgulho”.
Já sua conquista na travessia do canal da Mancha aconteceu na segunda tentativa. “Na primeira vez, depois de 7 horas e meia, já em alto mar e à noite, tendo vomitado mais de 15 vezes, eu senti que iria morrer, por isso, parei. Não conseguia nem subir as escadas de tão debilitado. Mas eu não me dei por vencido. Me preparei melhor e voltei lá depois de dois anos. Em 2016, conclui a prova em 14 horas, depois de nadar 52,9 quilômetros. Escrevo esse livro na intenção de passar minha experiência de vida adiante. Tenho a pretensão de levar essa sementinha a outros corações. Tudo é possível quando se tem um sonho”.

Episódios marcantes

No quesito superação de limites, Percival tem boas lembranças para retratar, seja com a participação de deficientes físicos, de mulheres e idosos: “Eu valorizo muito cada conquista que não venha só pelo pódio e, sim, pelo esforço de cada um. A gente vê, por exemplo, uma pessoa com deficiência, sem uma perna, subindo a rampa de chegada com dificuldade, mas ele conseguiu provar a si mesmo e a todos que é capaz de muita coisa”.
Quanto à participação feminina na prova, Percival afirma que vem aumentando, mas ainda não passa de 20% do total de inscritos. A produtora de vídeo Flavia Monteiro Takada, uma das responsáveis pela organização do evento, saiu do sedentarismo graças à vontade de nadar a 14 Bis. “Comecei com maratonas menores, fui buscando aumentar as distâncias até me sentir capaz de encarar a 14 Bis. Fiz a primeira prova em 7 horas e 40 minutos. Cheguei aos prantos porque é muito emocionante, quando você prova para você mesmo que pode”.
Desde então, ela já fez três participações, e seu melhor tempo foi 6 horas, em 2015. Afastada temporariamente por causa das obrigações com a organização da prova, ela diz que tem saudade de estar na água e enfatiza que, além da satisfação em concluir o percurso, o melhor de tudo é ultrapassar os homens. “Nós, mulheres, sempre comentamos isso. É muito bom”, explica Flavia, sorridente.

Recordista

O maior nome da história da 14 Bis é Glauco Rangel (foto), hoje professor especialista em natação e maratona aquática. Ele subiu ao lugar mais alto do pódio por sete vezes e, ainda, como vice-campeão, mais duas. Para o nadador, não existe fórmula secreta para tantas vitórias, o que ele acredita é na disciplina e na perseverança. “Essa prova ensina a gente a ter foco, vontade e a treinar duro. Ela te faz passar por provações que você leva para a sua vida toda. É uma prova apaixonante”. Nas suas façanhas, ele chegou a quebrar o recorde da prova por duas vezes. “Em 2011, tive um momento inesquecível. Eu, com 39 anos, consegui superar meu próprio recorde: nadei a travessia em 4 horas e meia. Eu abdiquei de muita coisa para conseguir essa marca e valeu a pena”.
Hoje, do lado de fora das piscinas, criou seu próprio método de treinamento. Glauco dá treinamento e assessoria técnica a outros nadadores, inclusive para a realização da 14 Bis. Mas, ele nos revela que pretende disputar novamente. “Eu vou voltar. Tenho plena convicção de que tenho condições de brigar pelas primeiras colocações”, emociona-se.

Edição nº 50

Nessa edição tão representativa, dois nomes fizeram a diferença no mar: No masculino, Artur Pedroza venceu a prova em 5 horas e 9 minutos. Ele veio de Resende, interior do Rio de Janeiro; já havia vencido a prova, em 2015, e, no ano passado, ficou com a 2ª colocação. Para ele, é primordial o treinamento constante. “São meses e meses de muita dedicação, sem afrouxar. E vencer significa coroar todo esse esforço”. Muito emocionado, ele completa: “Vencer essa prova representa que todo nosso esforço foi recompensado. A gente treina, trabalha, cuida dos filhos, de casa. É muita coisa que está em jogo”. Parte da conquista ele atribui a sua companheira, a barqueira Luciana Moreira Ferreira, jornalista, mas, nas horas de folga, dá todo seu apoio ao marido. “Formamos uma grande parceria”.
No feminino, o destaque ficou com Catarina Cucatti Ganzeli, que chegou com 5 horas e 22 minutos. A nadadora é de Campinas, mas mora em Santos, atualmente. Ela participou da prova pela segunda vez. Na primeira, 2008, ela tinha apenas 15 anos. Nadadora federada, já participou de grandes desafios, entre eles, a primeira edição do Super Challenge 10km, no circuito Rei e Rainha do Mar (em 2016, realizada no percurso olímpico, em Copacabana) na qual foi campeã, e, recentemente (março 2017), o Super Challenge 7km, também com a primeira colocação.
Na quarta maratona do ano, ela representou a seleção brasileira na Argentina e na Itália, nas provas do Grand Prix. “Minha primeira prova do ano foi de 57 quilômetros”. Mesmo com tamanha experiência, ela valorizou a 14 Bis e conseguiu sagrar-se campeã. “Com muito orgulho. Foi uma prova magnífica, eu vim muito concentrada e consegui vencer. Dedico aos meus pais, que vieram de Campinas para me ver, e ao meu namorado, que estava no barco de apoio”.

Homenagem merecida

Mário Bello, idealizador da prova, morreu no dia 9 de outubro último, aos 76 anos e, merecidamente, foi uma das personalidades homenageadas nessa edição comemorativa. Seus filhos estavam presentes e não conseguiram segurar a emoção. Beatriz Schlegel Bello, a filha mais velha, disse: “Eu acompanho a 14 Bis desde criança. Isso sempre mobilizou a nossa família, é história para a gente. Ver ainda hoje as pessoas tendo esse amor e vontade de vencer o canal é muito gostoso. É como se a história do meu pai continuasse através dessa paixão de todos”.

 

Muita criatividade na hora de comemorar

Estilo de vida e diversificação definem as festas alternativas, uma nova tendência de mercado

Luciana Sotelo

Muita gente tem fugido dos bufês e inovado na hora de cantar o tão sonhado Parabéns a Você. A pedida do momento é celebrar em grande estilo, num ambiente diferenciado, mas sem extrapolar nas cifras. Uma boa opção é fazer um piquenique ao ar livre com os amigos, por exemplo. Com criatividade, também é possível ter uma festinha incrível sem sair de casa. Que tal convidar as pessoas mais queridas para uma noite do pijama? Seja qual for o seu estilo, a tendência é ser original, para não gastar rios de dinheiro e, mesmo assim, viver um momento inesquecível.
A possibilidade de sair do convencional e das caríssimas superproduções motivaram alternativas lúdicas para o apagar da velinha. Imagina que delícia brincar na natureza, com verde ao redor, ar puro e, ainda, revisitar brincadeiras antigas. Esses são alguns dos ingredientes de um belo piquenique. Que tem ainda, como temperos especiais, o pé sujo de terra combinado com o canto dos pássaros, a toalha estendida no chão com muitas frutas e comidas saudáveis para a criançada, literalmente, fazer a festa!
Tal ideia animou a representante comercial Simone Losada Gouveia, mãe da Lavínia, de 5 anos. Reuniu familiares e amigos, e a pequena celebrou sua nova idade no Jardim Botânico Municipal Chico Mendes, no bairro do Bom Retiro, em Santos.
O local é disputadíssimo nos finais de semana; sempre tem um piquenique rolando por lá, afinal, o parque tem 90.000m² e mais de 330 espécies vegetais. É um precioso pedacinho da Mata Atlântica dentro da área urbana, com entrada gratuita.
E se não há gastos com a locação do local, dá para caprichar nos demais itens que compõem a comemoração. Nesse quesito, Simone optou pela contratação de uma empresa especializada para cuidar de toda estrutura necessária para acomodar bem os seus convidados. “Eu queria algo diferente, que fosse bonito e inesquecível. Eu já tinha vivido essa experiência como convidada em outro aniversário e achei fantástico”.
Simone também levou em conta o gosto da filha pela natureza, pelo cuidado com as plantas e animais, ensinamentos adquiridos em casa e, também, na escola de Lavínia, que segue a pedagogia Waldorf. “Ela adora correr e brincar livre, mexer na terra, pular corda e tudo mais que um belo piquenique pode proporcionar. Então, fiz a escolha certa, de acordo com nosso estilo de vida. Estava um dia lindo e a festa foi elogiada por ela e por todos os amiguinhos”, aponta a mãe orgulhosa.
Coube a Lavínia a escolha do tema: Moana. O resto ficou por conta de Natacha Veiga, proprietária de uma empresa que produz e decora festas desse tipo. “No caso do piquenique, a natureza já ajuda e, muito, na decoração, mas é preciso caprichar nos itens decorativos para tornar o clima aconchegante e muito prazeroso”. O importante é a simplicidade e o bom gosto, explica a especialista.
Ela também é mãe e releva que a ideia da empresa nasceu da sua vontade de comemorar os aniversários dos filhos de uma forma mais saudável. Por isso, não hesitou em trocar o cargo de diretora de produção de uma grande agência de publicidade de São Paulo para se dedicar ao projeto. “Para mim, qualidade de vida e amor ao que se faz valem mais do que qualquer coisa”.
Entre os itens que dispõe estão: toalhas, barraquinhas, cestos de vime, futons, mesinhas, guarda-sóis, cadeiras de praia e um cesto com brinquedos de antigamente: peteca; corda; elástico; cavalo de madeira; bola de sabão; vai e vem; bolas; corrida do saco; pipas; pé de lata; entre outros. Tudo feito manualmente pela família da idealizadora. “Buscamos resgatar as brincadeiras manuais (nada eletrônico), tudo para as crianças se divertirem entre si e com os pais, buscando também aumentar a interação entre as famílias”.
A estudante de odontologia Aline Leonhardi Cassiano tinha jardim, em sua casa na Alemanha, e já havia feito festas lá para os filhos. Agora, no Brasil, diz que não abre mão de manter a tradição, mesmo sabendo que dá um trabalhão organizar tudo sozinha. Por isso, também recorreu à empresa de Natacha. “Na Alemanha, esse tipo de comemoração é muito comum. Eu dava conta de pensar e executar tudo. Com a assessoria, eu consigo aproveitar e curtir esse momento mais de perto com o meu filho”.
Além de se sentir em casa, ela conta que a maior satisfação é proporcionar a integração entre as crianças. “Com esses brinquedos educativos, elas brincam entre si e conversam, o que não acontece com os brinquedos eletrônicos e vídeo game”.
Natacha conta que esse tipo de festa populariza-se e sua demanda aumenta. Desde que começou a atuar no ramo, em outubro de 2016, já realizou mais de 70 eventos. “Cuidamos de todos os preparativos, e os pais têm ainda outra vantagem. Eles podem curtir a festa do começo ao fim. Tenho funcionárias treinadas que cuidam da limpeza e também de repor os alimentos”.
Quando a decoração e as brincadeiras estão garantidas, é fundamental também acertar no tipo de guloseima a servir. O melhor é optar por alimentos que não precisam de refrigeração e nem cortes, explica Natacha, que não trabalha com alimentos, mas dá dicas úteis para as mamães de ‘primeira viagem’. “Indico que levem tudo que possa ser degustado sem o apoio de uma mesa, por exemplo: biscoito polvilho, sanduíches leves, minitortinhas de liquidificador, pipoca e frutas já lavadas, que não precisam ser cortadas, como maçã, banana, morango, uva e pera. Para beber, indico suco natural e água. Já para a sobremesa, a boa pedida é apostar nos bolos no pote ou aqueles bolinhos já embrulhados individualmente”.
Ela também recomenda que os pais não esqueçam de levar copos e talheres descartáveis, sacos de lixo para deixar o ambiente limpo após o evento, repelente e protetor solar para o cuidado com as crianças. Com tudo devidamente planejado, é só torcer para que, no dia da festa, o Sol seja o convidado especial no meio da presença maciça dos convidados!

Quando a noite cai a farra começa
Que criança não gosta de levar o amiguinho preferido para dormir em sua casa? É sempre uma festa fazer guerra de travesseiro, sessão de cinema regada a pipoca e chocolate, contação de história, e muitas outras brincadeiras que, certamente, fortalecerão os laços de amizade tão importantes no desenvolvimento infantil. O limite de toda essa farra é apenas o sono.
E que tal dimensionar esse universo lúdico para uma quantidade maior de amigos? Sim, estamos falando de uma festa do pijama, com direito a colchões espalhados, lanternas ligadas e muita conversa ao pé do ouvido. Outra forte tendência para quem quer deixar de lado o circuito das festas em bufês.
Para quem tem habilidade, tempo e paciência, tudo pode ser feito em casa mesmo. Mas para quem não quer ter trabalho, pode incrementar a noite com a ajuda de uma assessoria especializada, que disponibiliza cabanas lúdicas, pijamas e kits personalizados, além de atividades diferenciadas. Gostou? Tudo isso sem sair de casa.
A técnica de enfermagem Karina Lisboa Leite de Melo fez essa surpresa para a filha Giulia, no aniversário de 11 anos. Ela afirma que não queria deixar a data passar em branco, mas, por outro lado, também não queria uma grande festa para muitos convidados. “Eu pensei em algo diferente, mais reservado, somente para as pessoas que realmente faziam parte do convívio dela. Geralmente, em bufê, tudo passa tão rápido, e essa comemoração mais íntima poderia ser mais marcante”.
Foi o que aconteceu. Ela disse que as meninas viram filme, jogaram, lancharam e conversaram para valer. A noite especial foi pensada para seis meninas, e ela contratou uma empresa especializada para dar conta do recado. “Ficamos encantadas com a riqueza dos detalhes, o capricho das cabanas e a beleza do ambiente. Um verdadeiro sonho”.
Na ocasião, ela investiu também em pijamas personalizados para todas as convidadas, além de uma nécessaire com um kit de higiene pessoal. “Tudo a ver com esse tipo de evento. E fechamos a festança com chave de ouro, com um delicioso café da manhã. Até hoje todas lembram com carinho desse momento. Ficou na memória, com certeza”.
Fernanda Rivetti de Azevedo foi a responsável pelo sucesso da festa. A empresa dela oferece elementos de sua própria memória afetiva, como a locação das cabanas, dos colchonetes, decoração com luzes, tapetes, vasos de plantas, lanternas de chão e muitos outros mimos que deixam a noite inesquecível. Também dispõe de itens personalizados como mochilas, almofadas, chinelos e toalhas, que são produzidos conforme o tema escolhido e serve como lembrancinha para os convidados levarem para casa.
No mercado há pouco mais de um ano, ela já planejou e executou 28 contratos. E ressalta o bom resultado: “Esse tipo de festa está se tornando uma constante, porque tem todos os atrativos de uma convencional, porém, o custo pode ser menor, pois se trata de um investimento superfocado. “É um momento da criança, apenas com os melhores amigos. Não é uma festa para muitas pessoas. É uma ocasião muito especial restrita aos mais chegados”.
Ela explica quais são as características de uma festa do pijama. “Todos os participantes têm que estar trajando pijama, obrigatoriamente. Eles fazem diversas atividades e, ao final, dormem juntos. É uma festa que contempla alimentação, diversão e estrutura para acomodação”.
Para alegrar a programação, Fernanda oferece monitores que cuidam do entretenimento. As atividades ficam à escolha do freguês: contação de história, releitura de brincadeiras antigas e oficinas criativas com temáticas variadas.
A festa do pijama não precisa, necessariamente, ser feita em casa, ela pode ser montada em garagens fechadas, salões de festas, coberturas ou qualquer outro cômodo espaçoso, coberto e seguro. “Minhas cabanas são amplas, para duas crianças; cada uma tem 1,50 metro de largura por 1,60 metro de altura. Faço visita técnica para checar se o espaço disponível é viável”.
Ao cair da noite, as travessuras e os papos mais secretos surgem na roda e deixam toda comemoração ainda mais incrível.

Morreu?!

Bob Lutz, ex-presidente da GM, afirmou, em recente entrevista, que a “era” automotiva chega ao fim

 

Marcus Neves Fernandes

Será um mero exercício de futurologia barata ou uma previsão surpreendente? Seja como for, lá por volta de 2040, a nossa atual relação com os automóveis não mais existirá. Da posse individual de um veículo, passaremos ao seu uso coletivo. O carrão e toda a enorme diversidade de serviços que ele envolve estão com os dias contados. Há quem diga, inclusive, que já morreu.
Essa sacudida no futuro vem de alguém ‘de dentro’ da indústria. Bob Lutz, ex-presidente da GM, afirmou em recente entrevista que a “era” automotiva estava chegando ao fim. E ainda marcou a data: dentro de 20 anos. Sua análise é mercadológica; leva em conta cenários ainda distantes, como os veículos autônomos, mas está alicerçada, também, no rápido avanço das tecnologias de baixo impacto ambiental, muitas das quais têm como uma das vitrines os carros elétricos.
Há dez anos, por exemplo, o Brasil produzia o seu primeiro veículo elétrico – um Fiat Pálio Weekend, com uma bateria que pesava quase 170 quilos. Nesse mesmo ano, uma bateria de lítio custava US$ 1.000/kwh. Hoje, sai por cerca de US$ 500, nos Estados Unidos, e, em menos de cinco anos, deve atingir preços similares às baterias para veículos à combustão.
Em alguns países europeus, como a Dinamarca, em 18 anos já não haverá mais fabricação de carros a gasolina. E em dois anos, a Europa inaugura a sua primeira ‘rodovia elétrica’, conectando sete países, da Noruega à Itália, com 180 estações de carregamento ultrarrápidas (20 minutos de recarga para uma autonomia de 400km. Esses e outros avanços entusiasmam os pesquisadores. Tony Seba, da Universidade de Stanford (EUA), arrisca dizer que em oito anos não se fabricará mais nenhum veículo (inclusive caminhões e similares) movido a combustível fóssil.
Assim sendo, antes de 2030, apenas elétricos, à biomassa ou outra fonte energética estarão rodando em um planeta, enfim, sem poluição automotiva ou ruído, mas não, talvez, sem o congestionamento e o trânsito caótico que vemos hoje. É óbvio e oportuno lembrar, também, que o veículo elétrico não encerra em si o conceito da sustentabilidade. Tudo começa com uma fonte limpa de eletricidade. Hoje, porém, mais de 50% da eletricidade gerada no Reino Unido e mais de 65% da eletricidade gerada nos EUA vêm de combustíveis fósseis.
Mas todo esse futuro limpo e de fácil locomoção dependerá de uma maciça adoção do transporte autônomo, que há poucas semanas mostrou todo seu potencial com o anúncio da parceria entre o Uber e ninguém menos que a Nasa. E mais: dependerá também de uma nova visão do espaço em que vivemos.
Hoje, há mais espaço para veículos do que para os seres humanos nas grandes cidades. Londres tem quase 25% de sua área ocupada por estradas e infraestruturas de apoio. Em muitas outras cidades, inclusive no Brasil, isso pode chegar a 40%. Esse espaço, já exíguo, será cada vez mais disputado e, portanto, cada vez mais valioso. Algumas sociedades já perceberam isso e se planejam para ir além do carro.
Os finlandeses, por exemplo, estabeleceram uma meta ousada: eliminar, até 2025, todos os carros particulares da capital Helsinque. Talvez, nesse quesito, nem o melhor dos futurólogos arrisca palpitar sobre o dia em que não teremos mais carros como meio preponderante de transporte no planeta. Porém, se os poluentes veículos a combustíveis fósseis estão mesmo com seus dias contatos, planejar um futuro sem carros talvez seja o próximo grande desafio.

Remédio no lixo sinal de perigo

Descarte incorreto acarreta danos ao meio ambiente e à saúde pública

Luciana Sotelo

Pintou uma febre inesperada ou aquela dor de cabeça insuportável? Nessa hora, a maioria dos brasileiros tem uma receita rápida e prática: a ‘farmacinha’ de casa. Não é para menos que o Brasil está entre os dez países que mais consomem medicamentos no mundo, segundo o Conselho Federal de Farmácia. É preciso ter sempre a mão aquele “santo remédio”. Mas o que será que acontece quando essas pessoas se deparam com o produto vencido? O que fazer? No Brasil, dados revelam que 14 mil toneladas de medicamentos vencem todo ano e, nem sempre, essa quantidade enorme de resíduos recebe uma destinação adequada, pelo contrário, muita gente recorre à lata de lixo comum ou mesmo ao vaso sanitário para se livrar do que não presta mais.
Uma ação impensada que pode gerar grandes riscos para o meio ambiente, alerta o farmacêutico Devanir Paz, chefe do Departamento de Atenção Especializada da Secretaria de Saúde de Santos. “Estamos falando de produto químico que, se for descartado incorretamente, pode comprometer os lençóis freáticos, gerando uma contaminação ambiental. Os medicamentos têm substâncias químicas de toda natureza que, em grandes quantidades, podem promover alterações no ecossistema e, também, de forma acumulada, inviabilizar o uso da água”. Pela seriedade do assunto, o profissional faz um apelo: “Temos que ter a consciência de que somos mais um a ocupar o ambiente. Se damos destino incorreto para qualquer tipo de substância química, a gente está contribuindo para o desequilíbrio do sistema”.
Segundo os dados levantados em 2010 pela companhia Brasil Health Service (BHS), as estatísticas mostram que 1kg de medicamento descartado via esgoto pode contaminar até 450 mil litros de água. Para ter mais noção do potencial desses impactos e de suas possíveis consequências, um estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), publicado em outubro de 2016, esclareceu as reais condições de descarte de remédios. Baseado em dados estatísticos levantados pelo IBGE, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pelo Conselho Federal de Farmácia, o estudo revela que a projeção estimada é de que, de 2014 a 2018, as cidades brasileiras seriam capazes de gerar até 5,8 mil toneladas de resíduos de fármacos. Esse crescimento é proporcional à taxa de consumo total de medicamentos, que também vem crescendo nos últimos anos.
No mesmo período, o número de descarte nos municípios com mais de 100 mil habitantes subiu de 2.474 para 3.123 toneladas. Houve um crescimento de 649 toneladas de resíduos descartados ao meio ambiente de forma irregular nesses municípios, durante esses cinco anos. Outro fator agravante ocorre quando o medicamento descartado chega às mãos de outras pessoas, que acabam por consumi-los, lembra Devanir. “Como farmacêutico, eu falo com propriedade que a automedicação é a causadora do maior número de casos de intoxicação no Brasil. É preciso tomar muito cuidado”.

O que fazer?
O Brasil ainda não tem uma lei específica para regulamentar o descarte de medicamentos vencidos por parte do consumidor doméstico. Desde 2011, o assunto está em tramitação no Congresso Nacional, mas o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ainda não conseguiu aprovar a lei que regulamenta a logística reversa desse produto, ou seja, um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento ou destinação final ambientalmente adequada.
De acordo com a agência Senado, a ideia de adotar a logística reversa em diversas cadeias produtivas ganhou força em 2010, com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS — Lei 12.305/2010). Ela obrigou sua implantação para setores como o de agrotóxicos, pilhas e baterias e pneus. Para produtos não citados na lei, caso dos remédios, a PNRS determinou que o sistema fosse estabelecido por regulamento ou em acordos setoriais e termos de compromisso entre o poder público e as empresas. Paralelo a esse entendimento, existem outros dois projetos de lei sobre o tema no Senado: o PLS 33/2012, que autoriza a venda de medicamentos fracionados, ou seja, por dose, evitando a sobra e, consequentemente, o vencimento do produto; e a PLS 148/2011, que pretende incluir os medicamentos no rol fixado na Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Em 2016, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou a norma ABNT NBR 16457:2016, com procedimentos sobre a logística reversa de medicamentos de uso humano vencidos e/ou em desuso. A norma, elaborada pela Comissão de Estudo Especial de Resíduos de Serviços de Saúde busca atender à Política Nacional de Resíduos Sólidos, e prevê pontos de recebimento dos medicamentos em farmácias, clínicas, postos de saúde e ambulatórios, porém, sem definição de quem irá arcar com os custos do descarte.

Descarte consciente
Em meio a indefinições jurídicas, iniciativas positivas inspiram a conscientização da população quanto ao descarte correto. É o caso do projeto Descarte Consciente. A motivação é de um conjunto de redes de farmácia, iniciada em 2010, tendo a Droga Raia como pioneira. No ano seguinte, após a fusão das empresas Droga Raia e Drogasil, o programa passou a ser utilizado pelas duas bandeiras. A empresa coleta apenas medicamentos e suas embalagens, não havendo coleta de nenhum outro tipo de resíduo. Desde o início do projeto até setembro de 2017, foram mais de 151,5 toneladas de medicamentos coletados. Apenas em 2016, o total coletado foi maior que 41 toneladas.
De acordo com a rede, os medicamentos recebidos pelas lojas são encaminhados à coleta especializada em resíduos específicos e, posteriormente, enviados para incineração; já as caixas e bulas descartadas são enviadas para a coleta seletiva. A identificação da oferta de coleta na loja é muito fácil, pois os dispositivos que recolhem os medicamentos estão em um local visível. Caso tenha dúvida, o cliente pode perguntar ao gerente da unidade. A RD, empresa que administra as redes Drogasil e Droga Raia, oferece 471 pontos de coletas no Brasil. Na Baixada Santista, são 31 pontos, distribuídos nas cidades de Santos e Guarujá.

Santos dá sua contribuição

Por causa da demora na aprovação de leis específicas, alguns estados e vários municípios estabeleceram regulamentos próprios, caso da cidade de Santos, no litoral paulista que, em 2014, publicou a Lei Complementar 840, que estabelece que hospitais, postos de saúde da rede pública e farmácias tenham em local visível e com placa indicativa, uma urna para o descarte de medicamentos em desuso – vencidos ou sobras. “Captamos de forma espontânea esses resíduos e damos a destinação correta, no caso, a incineração”, ressalta Devanir Paz.
E tem mais novidade. No mês de outubro passado, a prefeitura local sancionou uma lei municipal para incentivar a prática do descarte correto, por meio de campanha educativa. “O objetivo é alertar a população, por meio de informativos em locais públicos, sobre a forma correta de jogar fora remédios vencidos, já que eles não podem ser descartados no lixo comum ou com os materiais recicláveis”, finaliza Devanir.
Caso algum munícipe seja flagrado descartando irregularmente um remédio, estará sujeito a multas a partir de R$ 1 mil, punições que também podem ser aplicadas aos estabelecimentos que se recusarem a receber estes produtos.
Denúncias podem ser passadas à ouvidoria municipal pelo telefone 0800 112056, e-mail ouvidoria@santos.sp.gov.br e pessoalmente, das 8h às 18 horas, na praça Mauá s/nº, térreo, no centro da cidade.

Revista Beach&co