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Araquém Alcântara E a arte de fotografar a natureza no Brasil

Em agradável bate-papo com a revista Beach&Co, o premiadíssimo fotógrafo fala sobre sua vida e obra, e revela aspectos do seu mais recente livro, o 50º de sua brilhante carreira, a ser lançado esse ano

Nayara Martins

Araquém Alcântara dispensa apresentações. O fotógrafo, de 66 anos, é apontado como um dos precursores da fotografia de natureza no Brasil e encontra-se entre os melhores do mundo. Já percorreu os parques nacionais, a Amazônia, os sertões nordestinos, os povoados indígenas, o Pantanal, e quase toda a Mata Atlântica. Desde 1970, ano em que iniciou sua carreira, dedica-se a documentar e a proteger a questão ambiental no país.
Jaguaretê é o título de seu mais recente livro, o 50º de sua carreira, previsto para ser lançado em setembro desse ano, e que marca o início das comemorações dos 50 anos de sua vida profissional. A palavra jaguaretê, em tupi, significa “a onça verdadeira”, e o livro, que reúne as melhores fotografias desse animal, em diversos lugares do país, é uma celebração à brasileiríssima onça pintada.
Araquém foi o primeiro profissional a fotografar e a registrar todos os parques nacionais do Brasil. Esse trabalho resultou no seu livro mais vendido por aqui, o Terra Brasil, lançado em 1998, após dez anos de pesquisas. Em 2010, o título ganhou uma reedição com imagens inéditas e a cobertura de novos parques nacionais, num total de 68 visitados. A obra está na décima segunda edição e já vendeu 100 mil volumes.
Ao analisar a situação dos parques nacionais, nos dias de hoje, Araquém observa: “Infelizmente, essas áreas de unidades de conservação só estão no papel. Falta uma política pública ambiental voltada para melhor preservação e divulgação destes locais”. Na opinião do fotógrafo, para ser um bom profissional é preciso ter, em primeiro lugar, inspiração e criatividade, e, só depois, buscar o melhor equipamento; o aprimoramento da técnica é contínuo. “A fotografia é uma arte, uma linguagem plástica, autônoma. É um caminho de autoconhecimento, e cada um vai aprendendo com o tempo”. Todo o processo de aprendizado de tecnologia e técnica, segundo Araquém, pode levar, no mínimo, uma década.

Santos, o início da carreira
Araquém iniciou como repórter fotográfico no extinto jornal Cidade de Santos, do Grupo Folha, no ano de 1971, época em que ainda cursava a Faculdade de Comunicação, da Universidade Católica de Santos – Unisantos. No jornal, ele iniciou na cobertura do esporte amador e, mais tarde, passou a cobrir o Santos Futebol Clube. Sua primeira exposição aconteceu em 1973, no Clube XV, de Santos, com o tema Os urubus da sociedade, registro da ave pelas ruas da cidade.
No final da década de 1970, surgiu a sua grande inspiração para fotografar a natureza, no coração da Mata Atlântica, na Estação Ecológica da Jureia-Itatins. O convite partiu do ex-vereador e ambientalista de Itanhaém Ernesto Zwarg, uma das primeiras vozes a se levantar contra a depredação da Jureia. A ideia era ilustrar uma matéria de protesto contra a possível instalação de usina nuclear no local. Araquém conta: “Lembro com carinho de minha amizade com o ambientalista Ernesto Zwarg, um dos que mais lutaram pela preservação daquela região. O movimento contra as usinas foi uma das maiores vitórias ecológicas no país”.
Na opinião do fotógrafo, a Estação Ecológica da Jureia-Itatins, hoje sob nova ameaça de instalação de uma usina termoelétrica, em Peruíbe, corre um sério risco. “Isso porque este país não é sério, onde a biodiversidade virou uma moeda de troca. O Brasil está se desertificando devido à ganância. Para quem ama a natureza, isso é muito triste”, afirma.
Ele defende que a vigilância em áreas de proteção ambiental deveria ser uma ação constante, tanto por parte do poder público como da sociedade civil. A Estação Ecológica da Jureia, segundo Araquém, poderia receber mais investimentos do poder público e se tornar uma escola de educação ambiental a céu aberto. “Assim, os estudantes teriam a oportunidade para conhecer o ecossistema, além de ter mais consciência em relação à preservação”.
Araquém é considerado um profissional de referência nacional e serve de inspiração para novos fotógrafos. Um exemplo é o comerciante aposentado Eloi Marques, de Itanhaém, que admira e acompanha o seu trabalho. Ele participou de uma palestra promovida pelo Coletivo de Fotógrafos de Itanhaém, no mês de abril. “A palestra do Araquém foi fantástica, surpreendente. Faço parte do Foto Clube de Itanhaém. A fotografia para mim é um hobby, o que me dá um prazer enorme”, salientou o comerciante.
Eloi Marques, que foi proprietário de uma livraria por 45 anos, em Itanhaém, recebeu um autógrafo de Araquém no livro da Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira, volume 1. Marques tem outros títulos do fotógrafo, entre eles, o primeiro livro lançado por Araquém – Jureia, a luta pela vida, lançado em 1988.

Livros, exposições e prêmios
Sua paixão por fotografia e pelas belezas naturais já lhe rendeu mais de 47 livros sobre temas ambientais; 22 livros em coautoria; 32 prêmios nacionais e três internacionais. Além de realizar 75 exposições individuais, inúmeros ensaios e reportagens para jornais e revistas nacionais e estrangeiros.
Em 2001, Araquém foi escolhido pelo The British Museum, de Londres, para produzir a capa do livro Unknown Amazon, que acompanhou uma grande exposição etnográfica sobre a Amazônia. Nesse mesmo ano, foi convidado pelo Ministério das Relações Exteriores para realizar a exposição Mudanças Climáticas, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Também como convidado do Ministério do Meio Ambiente realizou, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a exposição Parques Nacionais do Brasil.
O livro Sertão sem fim conquistou o prêmio Fernando Pini de Excelência Gráfica e foi finalista do prêmio Jabuti e do prêmio Conrado Wessel 2010. Em 2011, o livro Araquém Alcântara Fotografias conquistou o prêmio Benny Prime Print Awards – categoria livro de arte, em Chicago, nos Estados Unidos. E ainda ganhou o prêmio Unicef Presença da Criança nas Américas, Colômbia, em 1981.
Araquém lançou, ainda, uma edição especial, como colaborador, para a National Geografic Society, com o livro Z, em 2008. Também foi o primeiro a realizar um ensaio sistemático sobre os ecossistemas e as unidades de conservação do país, trabalho que foi concluído após 22 anos de inúmeras expedições pelos sertões do Brasil. Possui fotos em acervos de vários museus e galerias, entre eles, o Museu do Café, em Kobe, Japão; Centro Cultural Georges Pompidou, Paris; Museu Britânico, Londres, Inglaterra; Museu de Arte de São Paulo (Masp); e Museu de Arte Moderna (Mam), de São Paulo, Brasil.

Oportunidade
Entre os workshops que Araquém tem realizado pelo país, um deles ocorrerá em Itanhaém, com aulas teóricas e práticas, previsto para o segundo semestre desse ano. As aulas práticas serão realizadas na Estação Ecológica da Jureia-Itatins, em Peruíbe. A promoção é em parceria entre a Associação Comercial de Itanhaém, o Coletivo de Fotógrafos de Itanhaém (Cofit) e o Instituto Ernesto Zwarg (IEZ).
Interessados em agendar ou participar dos workshops promovidos pelo fotógrafo podem entrar em contato com a assessoria de Araquém Alcântara, em São Paulo. O telefone é 11 3044 1013; e-mail araquem@arquem.com.br; aos cuidados de Nilda Gino.

O melhor refúgio do mundo

Um abraço gostoso, uma comida quentinha. Passeios, mimos, memórias. Dia 26 de julho é o Dia dos Avós, os donos dos mais aconchegantes momentos de nossas vidas

Aline Porfírio

Os avós têm um papel marcante em nossa jornada; deles partem nossas referências, e, principalmente, são eles a fonte inesgotável de carinho de que tanto precisamos. Sabemos que eles merecem nossa atenção todos os dias, porém, dia 26 de julho é uma data especial, o Dia dos Avós. Conviver ou dividir um tempinho que seja com nossos avós nos traz memórias inesquecíveis. Não importa como são, joviais, velhinhos, descolados, conservadores, e nem se estão aqui ou já partiram. Os avós sempre têm algo em comum: a capacidade de multiplicar o amor e deixá-lo como legado. Já existem até estudos que comprovam que, passar mais tempo com eles, faz bem para à saúde.
“Neto é um filho com assistência técnica. E digo mais, o pai tem a função de educar, já o avô, tem a obrigação de mimar”, brinca Sérgio Pardal Freudenthal, de 57 anos. O advogado tem dois netos, Caetano (oito anos) e Leona (dois anos). Ele e Caetano não se desgrudam. É o avô quem leva e busca o neto na escola todos os dias, e, além disso, sofre na torcida das arquibancadas do futebol santista. Caetano é goleiro do Gremetal (Grêmio Recreativo dos Metalúrgicos de Santos), e é o avô Sergio quem acompanha o garoto em todos os testes e treinos. “Eu fico com o coração na mão, torço até o último minuto. Estou ainda me acostumando que, nessa nova fase, a família não pode mais acompanhar os treinos técnicos, aí o avô-coruja tem que sofrer do lado de fora”.
O advogado é pai de Carolina e Catarina, essa última, a mãe de Caetano e Leona. Ele sempre acompanhou de perto todas as fases das filhas e netos. Tanto amor virou homenagem em forma de tatuagem; ele tem desenhado no braço a imagem das duas filhas e os dois netos. “Eu amo muito minha família, somos muito unidos. Eu precisava externar esse sentimento, então fui homenageando cada fase da vida em forma de tatuagem”.
Um dos passeios favoritos da dupla “Sergio e Caetano” é ir à praia. O pequeno adora água e não tem medo. Aos quatro anos, já havia experimentado o primeiro passeio em um stand up paddle com o avô. “Eu lembro que, nesse dia, o levei bem devagar para experimentar o equipamento. Mas, de repente, bateu uma onda e virou a prancha. Fiquei desesperado, peguei ele da água em segundos. Então, ele olha pra mim e diz que queria experimentar de novo, que foi legal cair na água; haja coração!”.
Não é só Caetano que gosta de unir os fatores avô e praia. Muitas pessoas guardam boas lembranças de passar um tempo com os avós em frente à calmaria do mar. É o caso de Elizabeth Correia, 55 anos, que já não possui os avós vivos, mas lembra com perfeição todas as férias de verão com eles em Barra do Una, litoral norte de São Paulo.
Passear na praia, pegar conchinhas, brincar o dia todo e, ao voltar, ter um delicioso jantar esperando em casa. Já se passaram mais de 40 anos, mas ela afirma que as lembranças são sempre presentes. “Não tínhamos hora para nada, nossa rotina era acordar de biquíni e só tirá-lo na hora de dormir. Brincávamos em rios, cachoeiras e tínhamos amigos de uma pequena tribo indígena do local. Foi uma infância maravilhosa”.
Naquela época, não havia energia elétrica na casa de praia a qual Elizabeth e Izabel frequentavam. A luz vinha de um pequeno gerador a diesel, que funcionava até as 22 horas. Os passeios preferidos das irmãs eram visitar uma fazenda de bananas da região e andar em um troller puxado por bois, além de pescar e andar de canoa.
E bem que dizem que avó é tudo igual, só muda de endereço. Os tempos podem mudar, novas gerações chegam, mas a casa da avó será sempre o recanto de alegria da criançada. É o que acontece em Praia Grande, onde mora Maria Helena Gonçalves de Andrade Salani, avó de quatro netos: Vittor, 16 anos; Helena, quatro; Valentina, dois; e Maurício, nove meses. Vittor e Helena, que moram em São Bernardo do Campo, são os que costumam passar a maior parte das férias de julho e dezembro com a vó Mare, como é chamada. “Meus netos possuem idades diferentes, então, variamos as programações. Mas praia, piscina, supermercado e cinema nunca podem faltar”, diz Mare.
Ela comenta que lá não tem tempo ruim, faça chuva ou sol, tem bagunça. “Com o Vittor, em uma das férias de julho, quando chovia muito, pegamos um guarda-sol e fomos andar na chuva e ver o mar. Aqui é sempre verão para nós”. Os netos da Mare adoram passear por Praia Grande; além da praia, vão sempre ao shopping e visitam os pontos turísticos da região. O último passeio da turma foi a Cama de Anchieta, em Itanhaém.
Vittor, o mais velho, destaca que passar férias fora da cidade em que mora é bom, principalmente, para ter mais tempo com os avós. “Eu adoro ir à praia, e também adoro o brownie que minha avó faz. Mas, mais que isso, gosto de ficar conversando horas com ela e meu avô, Maurício. Quando eles ficarem bem velhinhos, até deixo eles venderem a casa de praia e vir morar comigo, assim posso cuidar deles e retribuir tudo isso”. A pequena Helena tem paixão pela praia, diz que adora fazer castelos de areia e de ver o mar. “A melhor parte das férias é ir à praia com a minha avó e o meu avô. Mas eu gosto também de cozinhar com ela, fazemos muitas coisas gostosas”. Já a avó, Mare, sintetiza o que a maior parte dos avós gostaria de dizer nessa data. “Ser avó é um amor que transcende, não tem limites, é muito puro e verdadeiro. Quando se ganha netos, percebe-se que somos capazes de amar ainda mais”, enfatiza.

O sonho da bola em campos norte-americanos

Uma academia de futebol proporciona aos atletas, além de opção esportiva, a chance de ter um futuro, dentro ou fora dos gramados, por meio de intercâmbio internacional

Luciana Sotelo

Que garoto não quer ser igual ao artilheiro do seu time do coração? Ir para fora do país, ter uma carreira de sucesso e, quem sabe, jogar na seleção? Milhares deles passam pelas famosas peneiras, mas, a maioria não consegue realizar o tão cobiçado sonho. Ainda mais quando se trata do ‘país do futebol’, um dos maiores celeiros de craques do mundo. Entre uma tentativa e outra, o tempo passa e, muitas vezes, a frustração toma conta do jovem. Nessa hora, o papel da família é fundamental. Quem pode investir no filho ou na filha, agora tem uma alternativa para não ficar no zero a zero.
O pontapé inicial vem da junção entre o esporte e a educação. Esse é o objetivo da Next Academy, uma escola de futebol com uma proposta diferenciada. Com unidades em todo o país, a franquia chegou à Baixada Santista há pouco mais de um ano; ela prepara os alunos para lições que vão além dos gramados e se estendem aos bancos das universidades americanas, como explica Bruno Viana, sócio-proprietário da escola de Santos: “Fazemos a preparação no futebol e no idioma inglês para que esses atletas consigam bolsa de estudo para o ensino médio ou uma universidade nos Estados Unidos. Isso representa uma oportunidade única de conciliar as competições esportivas de alto nível com o estudo de uma profissão”.
Fundada em 2008, a rede possui, atualmente, 25 unidades no Brasil. O projeto ocorre em parceria com a Adidas e a EF English Live, uma das maiores escolas de inglês on-line do mundo. “Somos a maior empresa de intercâmbio esportivo da América Latina. Tudo começou no Rio de Janeiro. Os cinco sócios estudaram e jogaram nos EUA e viram aí uma oportunidade de mercado. Em 2015, surgiu um modelo de academia de futebol”, aponta Viana.
Com foco no desenvolvimento pessoal, a Next oferece a preparação do futebol de campo, com aulas de 1 hora e meia de duração, duas vezes por semana, além das partidas amistosas que promove nos finais de semana. Durante essas competições, as partidas são filmadas e resultam em material de divulgação para cada um dos participantes. “Esse vídeo é muito importante, porque essas imagens são enviadas para os treinadores americanos na hora de uma avaliação”.
O coordenador de futebol Almir Barros da Silva conta que utiliza, nos treinos, os mesmos conceitos usados nas partidas. “Nossa metodologia é voltada para as situações reais de jogo. Por causa disso, unimos o físico (preparação), o tático e o técnico em todas as atividades. Isso é feito nos grandes clubes, no futebol mundial”.
Para ganhar traquejo em campo, a Next realiza torneios internos entre as unidades. São competições regionais e estaduais. Já a parte educacional é efetuada pelos alunos, em casa, pelo computador, tablet ou celular. O aluno faz um teste de nivelamento e já começa o curso on-line. É preciso ter um bom inglês para concorrer a uma bolsa de estudos, por isso, o tempo de aprendizado diário é ilimitado.
Afinal, para ter a chance de se tornar um craque é preciso provar esse conhecimento na língua. Os interessados em morar nos EUA precisam realizar provas de inglês exigidas pelas universidades americanas. Esses testes são feitos no Brasil. Para incentivar a turma, a Next exige, por mês, que cada atleta estude, pelo menos, três unidades do conteúdo programático. Só assim ele poderá ser escalado para os jogos que acontecem nos finais de semana.
E para arrumar as malas com mais segurança, ao longo do projeto, a Next disponibiliza também outros materiais, com temas diversos, para ajudar os alunos a adquirirem confiança. São temas como nutrição, futebol no Brasil e no Exterior, autoestima, motivação, alimentação, preparação física, dia a dia do estudante atleta na universidade, e muito mais.
Por causa das oportunidades, Viana diz, convicto, que os resultados positivos da Next não se resumem às estatísticas. “O atleta que consegue embarcar, e se destaca no futebol, sem dúvida, é um cara de sucesso. E a realização pessoal não tem preço. O cara que consegue obter uma boa bolsa de estudos e frequentar as melhores universidades do mundo, também é vencedor. Mesmo o cara que não consegue chegar a uma categoria de base, ou não termina os estudos, também é um cara de sucesso porque ele volta com um diferencial, o inglês fluente”. Ele reforça tal entendimento com sua própria história. “Fui atleta da Next no Rio de Janeiro. Cheguei a competir em Las Vegas, mas nunca fui morar nos EUA. Com base em tudo que aprendi, na mentalidade que passei a desenvolver, me considero um cara de sucesso. Aos 21 anos, vim para a área do empreendedorismo e, hoje, sou um franqueado da Next”.

Atletas de Santos
Fundada em 26 de junho do ano passado, a unidade de Santos possui 80 participantes cujo sonho comum é encontrar nos EUA a oportunidade de suas vidas. As estatísticas são animadoras. Segundo dados da empresa, hoje, já são mais de 400 jogadores no exterior. Todos vão se formar nas mais conceituadas universidades do mundo, com bolsas de esporte, de até 100%.
Essas informações fizeram o coração de Fernando Nogueira Silva encher-se de esperança. Ele tem 17 anos e, desde os 6 anos, joga bola e alimenta o sonho de se tornar um jogador profissional. Tamanha motivação ajuda o rapaz a não medir esforços para chegar aonde quer. Ele mora em Bertioga, e para se deslocar ao treino precisa pegar dois ônibus e ainda atravessar o estuário de Santos de barca. São pelo menos cinco horas em deslocamento, por dia de treino. O volante é convicto: “O futebol é tudo na minha vida. Me sinto privilegiado em poder construir a minha própria história. É bem longe, mas a Next está sendo essencial para eu poder conquistar meu objetivo. Se tudo der certo, pretendo embarcar em agosto de 2018. Tudo vale a pena”.
Outro que não vê a hora de dizer adeus ao país é Rodrigo Oliveira Rogatto. Ele tem 17 anos e começou em escolinhas de futebol com apenas 5 anos. Desde sempre, ele confessa, já sabia o que queria ser quando crescer. “Nunca tive dúvida. Comecei com campo, no Jabaquara, depois fui para o Santos Futebol Clube, até hoje jogo salão lá. Minha prioridade de vida é ser jogador. Quero me profissionalizar e poder ser como meus ídolos Neymar e Ronaldo Gaúcho”, emociona-se o menino.
Rodrigo entrou na academia em agosto de 2016 e já recebeu algumas propostas. “Em um dos nossos jogos, veio um treinador de fora. Ele gostou muito de mim, mandou o convite, mas preferi terminar a escola e ver outras opções”. Ele termina esse ano o ensino médio. A partir daí, é dedicação total à sua grande paixão.
Um dos grandes diferenciais da Next é a idade dos atletas. São aceitos jovens de 15 a 24 anos, faixa etária apta a ingressar no ensino médio e ou faculdade. Bruno Viana diz que “muitos clubes e escolinhas já consideram essas pessoas velhas para ingressar no esporte. Oferecemos essa alternativa para aqueles que já haviam se desiludido com a falta de uma oportunidade”.
Foi o caso da volante Thayna Cavalcante da Silva Algaves, de 21 anos. Por causa de uma lesão no joelho, ela teve que frear sua carreira. “Eu jogava na base das Sereias [time profissional feminino do Santos Futebol Clube] e tive que parar. Ao tentar voltar para o futebol, senti bastante dificuldade”. Há um ano na Next, já se permite sonhar: “Minha meta é ir para os EUA, estou empenhada. Já vou tirar meu passaporte. Começo a tentar a bolsa a partir do ano que vem. Estou em dúvida sobre o curso que vou escolher, mas sei que tudo isso vai ser um grande diferencial na minha trajetória”.
O goleiro Bruno Kato, de 17 anos, também mudou seu horizonte. Ele já tinha desanimado de fazer parte do universo futebolístico, quando descobriu que poderia unir duas paixões: a bola e o jornalismo. “Achei que não tinha mais como me dar bem com o futebol. Agora, já faço meus planos para jogar e estudar. Na verdade, quero ser jornalista e me especializar em jornalismo esportivo. Meu desejo é estudar na Columbia University”. E por falar em estudos, o que mais chamou a atenção de Caio Toledo Correa, de 17 anos, foi justamente a formação profissional no exterior. Ele tem interesse em engenharia e administração, mas ainda não definiu exatamente o que vai fazer. “O futebol vai ser meu passaporte para muitas possibilidades. Quero ser jogador, mas o que mais me atrai, hoje, é a chance de poder estudar em alto nível”.
Quando se tem um sonho, o importante é correr atrás para conquistá-lo, como frisa Bruno Viana: “Deixamos em aberto que essa realização não depende de nós. Não prometemos nada. A gente apenas oferece todas as ferramentas que o jovem precisa para realização pessoal. Só depende do seu esforço e desempenho”.
Os interessados em participar do projeto, que é pago, devem entrar em contato pelo telefone (13) 3394 2285 ou se inscrever pelo site: www.nextacademy.com.br/inscricoes-de-futebol. Ainda há vagas disponíveis. As aulas acontecem na Associação Desportiva da Polícia Militar, na avenida Coronel Joaquim Montenegro, 284, na Ponta da Praia.

Novidade
Recentemente, a Next Academy lançou uma plataforma que a diferencia ainda mais: a Next Colleges, que oferece ao atleta um sistema completo de buscas por universidades americanas. Os estudantes-atletas conseguem todas as informações sobre as universidades para as quais pretendem ingressar: tamanho, preço, localização, nível esportivo e acadêmico, divisões e ligas das quais participam, oferta de bolsas, se já possui atletas da Next Academy em seu quadro, entre outros. Até o final do ano, a plataforma terá também a funcionalidade de contato direto com treinadores e universidades.

Prata da casa
A Next Santos já levou um dos seus atletas aos EUA, como explica Bruno Viana: “Em agosto, serão pelo menos mais dez. Nossa participação vai até o aeroporto. Quando chega ao destino, o aluno é recebido pelo treinador, que o conduz ao alojamento, no campus da universidade”; os embarques acontecem sempre nos meses de janeiro e agosto, início e meio do ano letivo, respectivamente.
O meio campista Gabriel Monteiro Simão Batista já vive da realização de seu sonho. Ele foi escolhido pela Missouri Valley College e passou o primeiro semestre do ano dividido entre os estudos e os treinos, segundo ele, muito puxados. Com bolsa de 75% de desconto, ele ainda não escolheu o curso que vai fazer. Em agosto, terá que se decidir. Quanto às partidas, as oficiais também só começam no segundo semestre. Enquanto isso, em férias em Santos, ele assume que está animado e que a realidade já superou todas as suas expectativas. “Meu plano é morar lá, arrumar um time depois de formado e conseguir a documentação de permanência no país. Me sinto honrado com a oportunidade que meus pais puderam me proporcionar. O futebol está presente desde as minhas lembranças de infância. Eu acho que já nasci com a bola nos pés”.

O clima barcelonês

Barcelona pode ser encantadora em qualquer época do ano, porém, no verão, praias, ruas e obras de arte reluzem em uma cidade perfeitamente arquitetada e cheia de cores, sabores e animação

Aline Porfirio

Há quem acredite que ela foi fundada por Hércules, deus grego que, na mitologia, representa a força. Barcelona fica na Espanha, na região da Catalunha, cujo povo se autodeclara independente do país ao qual pertence. É cercada pelo mar Mediterrâneo, que proporciona um clima de verão quente, mas com brisa agradável. Barcelona é considerada cidade-irmã de três capitais brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. As semelhanças com o nosso país vão além do clima quente. São cores, sabores e culturas que se misturam em uma só cidade. De junho a setembro, o verão toma conta da Europa, quando os dias são mais longos e quentes.
Marco Antonio Felix visitou a cidade no verão de 2013 e ficou maravilhado. O relações-públicas conta que a harmonia presente em Barcelona contagia qualquer visitante. “Barcelona tem um clima inexplicável. A arquitetura de Gaudí está muito presente nas ruas; a temperatura alta, porém agradável, e a oferta de atrações, como bares e restaurantes, tornam-se um contexto inesquecível”. Ele destaca que, na época, optou por ficar hospedado em um hostel, para ter a oportunidade de conhecer outras pessoas de diferentes culturas. “Estar em Barcelona é se dar a chance de conhecer mais sobre o país, a cultura e outras pessoas. Fiquei num hostel chamado Kabul, que proporcionava uma programação interna para os hóspedes e também organizava saídas pela cidade. Expandi muito meu conhecimento sobre outros países dessa forma”.
A cidade é popularmente conhecida pelas cores e formatos do visionário artista Auntoni Gaudí, arquiteto catalão autor de obras como a Sagrada Família, Casa Milá, Park Güell, Casa Batlló, entre outras. Muito à frente do seu tempo, o arquiteto brincava com a mescla de arte neogótica com o modernismo, cores, formas geométricas e ilustrativas, como as escamas de um dragão, que podem ser vistas no topo da casa Batlló. Seu maior legado foi a Catedral da Sagrada Família, principal ponto turístico da capital da Catalunha. Ele tomou o projeto para si em 1883, quando tinha 31 anos, e se dedicou até o fim da vida a sua construção. Porém, a obra sofreu diversas paralisações por guerras e conflitos, e, infelizmente, Gaudí faleceu sem terminá-la. A catedral ainda está em construção, e deve ser finalizada somente em 2026.
Essa mistura de arte também representa a cultura de Barcelona. Marco lembra que, até mesmo passeios simples, como nas Ramblas, como são chamadas as ruas principais de largas calçadas, tornam-se atrativos na cidade em um dia de verão. “Quem vai a Barcelona não pode deixar de visitar os mercados de rua. Neles se encontra uma infinidade de comidas maravilhosas. Um passeio pelos calçadões do centro, um almoço, tendo a paella como prato principal, e uma tarde na praia de Barceloneta não podem faltar”, explica. Localizada bem no centro da cidade, é o principal ponto de visitação de turistas, pois sua baía exibe luxuosos iates, além de um espaçoso calçadão para a prática de esportes. Também é possível andar de teleférico e passar bem próximo ao W. Hotel, uma das mais famosas obras de arquitetura do mundo moderno. Uma parada nos bares à beira-mar também é uma boa pedida em um dia de sol.
Em dias de verão, na Europa o sol se põe perto das 23 horas, o que permite que o visitante deslumbre muito mais daquilo que a cidade tem a oferecer. Ao anoitecer, é possível visitar outra obra de arte moderna da cidade, o espetáculo das fontes mágicas (Font Montjuic). Ela fez sua primeira apresentação em 1929, e sofreu diversas alterações durante o decorrer dos anos. Em 1976, a fonte ganhou uma de suas principais características atuais: a música. O funcionamento da fonte parte da sala de telecomando informatizado, instalada no final de 1990. Em setembro de 2011, a Font Màgica de Montjuïc ganhou gerador, editor e simulador de coreografias, em 3D, e, assim, novos espetáculos de luz, água e música passaram a ser criados em apenas três minutos. Ela foi cenário, inclusive, para a gravação do cantor Freddie Mercury com a cantora lírica Montserrat Caballé, usada como tema dos Jogos Olímpicos de 1992.
Já a culinária catalã é um conglomerado de sabores. Os catalães adotaram os legumes secos dos soldados romanos; os produtos e técnicas, principalmente, em confeitaria, dos judeus e árabes; as batatas, da Europa, e tomates, chocolate e outros produtos, da América. É impossível não experimentar a tradicional tortilha, uma mistura de ovos, batatas e cebola, que formam uma suculenta omelete, com todo o tempero da região. O carro-chefe de Barcelona é a paella, um tipo de risoto feito à base de frutos do mar. Ela é servida em diversas variações e com dezenas de opções de arroz, sendo o negro um dos mais exóticos e procurados por turistas. Para sobremesa, o famoso Creme Catalão, feito de ovos, creme de leite, limão e canela.

A peça-chave do inverno

Além de manter o corpo bem aquecido, os casacos femininos são versáteis e dão um toque de sofisticação ao look

Karlos Ferrera

Chegou a época do ano de tirar todas as roupas quentinhas do fundo do guarda-roupa, pois o frio chegou para ficar. Sim, o frio chegou e trouxe aquela dúvida: como montar looks bonitos e quentinhos?
Para quem quer a garantia de que não vai errar, a resposta é apostar nos casacos! Um clássico moderno, a peça é essencial na estação, sempre trazendo conforto e estilo ao look. As muitas variações da peça, como blazers e ponchos, também são uma ótima pedida e estão muito em alta nesse ano.
Para montar um look bonito com casacos, o importante é atentar para o equilíbrio da composição. Quando você usa um casaco com volume, é importante usar uma calça mais justinha. Já se for um casaco reto, pode apostar em um estilo folgado de calça. Tudo tem que ter contraste e equilíbrio.
Já no quesito estético, não existe um casaco certo para cada tipo de corpo. A única regrinha é mesmo se lembrar de compensar. É simples: se você tem uma calça flare, você deve compensar usando um casaco com mais volume na parte do ombro, por exemplo. Também tem que tomar cuidado com a questão da estrutura do tecido. Com um corpo formato pera, por exemplo, o indicado é não usar casacos tão volumosos e, sim, mais retos, que dão a sensação de alongar a silhueta.
As combinações de look com casacos são inúmeras, ficam bem usados até mesmo com saias e vestidos. Mas, quando se trata de vestidos e saias, e para obter um visual mais jovial, o ideal é optar por peças de comprimentos curtos, pois vestidos e saias longos tendem a envelhecer a produção.
Os sapatos também ganham certo destaque, e a bota é uma das peças mais estilosas para combinar com o casaco, sejam as ankle boots (botas de cano curto), as de montaria ou mesmo as over the knee boots (botas acima do joelho).

Outras peças
Os blazers também continuam em alta. Essa peça traz sofisticação para o guarda-roupa feminino. Tecidos peludinhos, como lã e camurça, estão muito presentes e em alta. Há também as jaquetas do chamado couro ecológico, que, apesar do nome, tem origem animal (gado, peixes e rãs), porém recebe este nome devido ao processo de curtimento do couro. Em vez de utilizar metais pesados, como o cromo, utilizam-se substâncias alternativas como os taninos vegetais, compostos que tornam as proteínas existentes nas peles mais resistentes à decomposição. Ele é uma alternativa bem mais barata do que o couro legítimo, além de ser mais sustentável.
Esse tipo de couro pode ser encontrado em lojas de fast-fashion e está muito em alta. Só é preciso ter certeza de que o produto tenha um bom acabamento, para que dure mais.

Para curtir a vida em família

Estela Craveiro

Com centenas de projetos de casas de praia no portfólio, a arquiteta Selma Tammaro mergulhou nesse universo em 2000, em Tabatinga, Caraguatuba, no litoral norte paulista, quando construiu sua residência por lá. Por fora, chamou a atenção com o tom azul-turquesa que escolheu para a pintura e para a piscina, destacando-se no cenário de edificações monocromáticas do condomínio contornado pela paisagem verde. Por dentro, encantou com o ambiente muito arejado, bem ventilado e naturalmente iluminado, graças à exploração do pé direito inteiro, uma das características de seu trabalho. Vários clientes surgiram espontaneamente e muitos permaneceram ativos, como um casal do interior paulista para quem já criou várias casas na região. A mais recente tem 570m² de área edificada e 200m² de área de lazer. “Estou com eles desde a primeira casa. Venho acompanhando a vida da família. São modernos e práticos. Gostam de fazer do seu jeito e imprimem sua assinatura no projeto. Constroem, decoram e vendem, conforme as necessidades de cada fase. Dessa vez, queriam a casa para curtir com os netos pequenos. O estilo externo é sempre mais ou menos como o atual. Internamente, vão mudando. Este último projeto tem a cozinha integradíssima à área social, sem nenhuma barreira obstruindo a visão desse ambiente, que consideram o mais vital da casa”, conta Selma.
Assim, a cozinha principal protagoniza o cenário do piso térreo, totalmente conectada às salas de jantar e de estar, por sua vez ligadas à varanda que dá na piscina, e tem outra cozinha em estilo gourmet. Apenas o home theater ocupa uma sala isolada. Os proprietários também queriam um ambiente bucólico, silencioso, que atraísse pássaros e fosse agradável para leitura. Desejo atendido com um grande bloco de palmeiras que proporcionam sombra e privacidade no jardim, que possui um cantinho reservado a um playground. Para as crianças se divertirem com seus games e desenhos animados, Selma criou uma sala de tevê com terraço no andar superior. O resto do piso superior é ocupado por cinco suítes. No térreo, há mais três. Todas no mesmo padrão, para uso da família, de convidados e empregados.
O escritório de Selma Tammaro também é responsável pelos projetos de paisagismo, iluminação e decoração, nesse caso, feita com móveis, acessórios e adornos adquiridos diretamente pelos proprietários, que possuem uma tecelagem no interior paulista e costumam usar muito seus próprios tecidos. Madeira, laca, mármore, silestone, fibra sintética e alumínio predominam entre os materiais utilizados por Selma. Ao escolher revestimentos, ela sempre opta pela resistência à maresia e ao calor, e pela praticidade na manutenção. E também capricha no uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, porque, luminosidade natural é ótima e econômica, mas contribui para aquecer o ambiente quando não há vento, explica.
Externamente, a casa, construída entre janeiro de 2014 e abril de 2015, tem o estilo caixote, como define a arquiteta. Um dos recuos laterais obrigatórios do terreno abriga a área de serviço e, o outro, completa a área social. Uma platibanda de alumínio e isopor oculta o telhado de pouca inclinação, oferece proteção termoacústica em torno da casa, e imprime um ar clean à fachada. A entrada do sobrado oferece bastante privacidade.
Já na área posterior, muito vidro em amplas portas, janelas e basculantes garantem boa ventilação e luminosidade. “Em casas de campo e de praia, tem que tirar partido disso, aproveitar a possibilidade de ter a natureza dentro de casa. São quadros vivos que mudam de acordo com as condições climáticas e o horário. É bem lúdico. E isso é o mais importante em uma casa de praia”, conclui Selma Tammaro.

Aqui e lá

Marcus Neves Fernandes

Tenho um grande amigo, engenheiro civil, que, quando viaja ao exterior, mesmo que seja por puro turismo, não perde a oportunidade de fotografar qualquer obra que encontre pelo caminho. A família faz troça, brinca, e diz que ele é capaz de virar as costas até ao Coliseu romano se, do outro lado da rua, houver um edifício em reforma.
Bom, brincadeiras à parte, eu não escapo dessa sina. Na memória do meu celular, no retorno das férias, costumo trazer imagens de todo o exemplo de desenvolvimento sustentável que encontro pelas ruas das cidades que visito.
E olha que nem preciso de muito esforço. Parece uma espécie de radar automático. O que os outros não reparam, salta à minha vista, me chama. E lá vou eu, por vezes sem perceber, me distanciando do passeio, do grupo, dos amigos e da família.
Às vezes, é um cartaz, quando, no centro de Roma, por exemplo, percebi a existência de um pôster chamando a atenção do público para as espécies de aves que podiam ali ser observadas. Em outras, é um totem com sacolas plásticas para que o cidadão faça a coleta de resíduos animais.
Mas, o que realmente chama a minha atenção são as lixeiras. Muitos não sabem, mas raras são as cidades em que há coleta de resíduos porta-a-porta, todos os dias da semana, como aqui, na Baixada Santista. Fora do Brasil, tal serviço, além de raro, é considerado um desserviço, um sistema que tende a alienar e deseducar a sociedade. Explico.
Nas cidades europeias, o cidadão leva os seus resíduos a um posto de entrega. E, obviamente, ele leva os secos (recicláveis) separados dos úmidos (matéria vegetal). Além disso, em várias cidades, os restos de alimento são descartados sem os chamados resíduos de banheiro, como absorventes, fraldas e papel higiênico. O objetivo é não comprometer a compostagem dos restos vegetais, que podem ser transformados em um adubo orgânico de alta qualidade.
Além disso, dependendo do tipo de reciclável, há ainda outras separações. Garrafas, por exemplo, são descartadas conforme a cor, o mesmo acontecendo com as resinas plásticas.
Por fim, temos resíduos como os eletroeletrônicos e as lâmpadas, que seguem outro caminho, no caso a logística reversa, ou seja, o fabricante, que colocou o produto no mercado, é responsável pelo seu recolhimento.
E aqui? Bom, no Brasil também há a figura da logística reversa (LR), prevista na lei que criou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (12.305/2010). O único problema é que o legislador (deputados federais e senadores), por algum indescritível motivo, esqueceu-se de um detalhe: não estipulou prazo para a entrada em vigor da LR. Assim sendo, até hoje, seis anos após a lei ser sancionada pelo então presidente Lula, não há, por exemplo, nenhum posto para recolhimento de lâmpadas em toda a Baixada Santista. Curioso, não?
Aqui, em termos de resíduos sólidos urbanos (o popular lixo), o cidadão entende que a sua obrigação termina no momento em que coloca o saco de detritos na porta de casa ou no quartinho do condomínio. Pronto! A partir daí tem início a fantástica mágica do desaparecimento do lixo.
Com o tempo, de uma forma ou de outra, a tendência é que caminhemos para um modelo semelhante ao europeu. A própria Política Nacional de Resíduos Sólidos, que permaneceu por inacreditáveis 21 anos (!) em análise no Congresso Nacional, já é fortemente influenciada pelas legislações do velho continente – talvez, só nos tenham faltado os legisladores europeus.
Lá fora, a grande tendência contemporânea nas maiores cidades do mundo não é a discussão sobre se usaremos aterros sanitários ou, quiçá, incineradores. Hoje, os esforços se concentram na não geração de resíduos e na redução do consumo e, por tabela, do flagelo e da estupidez do desperdício.
Aqui, o nosso desafio, na verdade, é encurtar esse lapso temporal e desacostumar o cidadão da sua atual comodidade.

Julho livre de plástico

Plastic Free July é uma campanha que nasceu em 2011, na Austrália, e, pouco a pouco, vem ganhando outros países. O objetivo é conscientizar para o banimento de vasilhames plásticos de uso único, como copos e garrafas, por exemplo. A campanha, que pode ser acessada no site abaixo, tem como logo uma tartaruga. Em tempo: os biólogos e veterinários do Aquário de Santos, espaço que acaba de completar 72 anos, concluíram um levantamento sobre todas as tartarugas cuidadas no parque nos últimos dez anos. Conclusão: quase 50% delas ingeriram plástico. Muitas morreram.
Consulte a campanha (em inglês): http://www.plasticfreejuly.org/

Lámen, para confortar

Ícone japonês é prato ideal para o inverno

Fernanda Lopes

A origem do lámen (ou rámen como se fala no Japão) é chinesa, mas foi no Japão que encontrou seu ápice, atingindo glória e fama. E não pense que lámen é aquele miojo com pozinho misterioso que fazemos em dia de correria. Muito pelo contrário. O caldo, de preparo longo e cuidadoso, é o segredo do sucesso mundial do prato.
Apesar de ser consumido por toda a parte, por aqui, ele tem entrado nos menus mais recentemente, em especial agora no inverno. Afinal, um bom caldo revigora e conforta. Neste caldo, que pode ser de pescados, carne ou frango, coloca-se o noodle (macarrão), legumes, fatias de carnes suculentas, massa de peixe (chikuwa ou kamaboko), ovos cozidos e até mesmo um tempurá para dar o contraste de textura.
Nesse inverno, o prato chegou de vez aos menus paulistas dos restaurantes orientais. Juliana Nakai Matsumoto, uma das proprietárias do restaurante Gotissô, conta que o prato tem feito sucesso, assim como outras especialidades orientais típicas de clima mais frio, como o sukiyaki – um cozido japonês, que se come coletivamente, ou seja, divide-se a mesma porção à mesa. Usualmente, ele tem carnes fatiadas finamente, macarrão japonês, cogumelos e verduras.
O chef Mario Amorim, do restaurante Estrela de Ouro, é um dos poucos que dominam a técnica de abrir o macarrão de lámen na mão. É possível assistir a seus vídeos no Youtube, realmente um show. Ele também incluiu algumas variedades no menu de inverno da sua cozinha. E não foi fácil para ele aprender a técnica. Obstinado, mesmo sem encontrar quem o ensinasse, não desistiu. “Assisti a um vídeo na internet e comecei a treinar. Devo ter feito centenas de tentativas até que conseguir o resultado desejado”.
‘La’ quer dizer massa esticada e ‘men’, macarrão, ou seja, lámen significa macarrão com fios longos, esticados. E ao ver o chef Mario preparar os fios de lámen dá para constatar todo o sentido do nome. Após misturar claras de ovos, farinha de trigo e água, ele sova a massa muito tempo, batendo-a na pedra de mármore para que fique macia. “É preciso sovar muito para ativar o glúten e evitar que a massa arrebente ao ser esticada”.
Foi ele quem desenvolveu as quantidades de ingredientes para adequar a receita à farinha brasileira. “Ela é diferente da farinha chinesa ou japonesa, que tem mais glúten”. O chef explica ainda que, como a massa não pode ter gordura, não se usam as gemas dos ovos. Depois de muito bem sovada, é a hora do show: com muita habilidade ele faz um verdadeiro exercício de estica-e-puxa com a massa, até que, como num passe de mágica, os fios começam a se formar, dando vida ao lámen.
A massa fica muito suave e macia. Depois de colocada rapidamente em água fervente, ela incha e fica firme. Perfeita para receber ricos e quentes caldos, que dão vida ao lámen. “O caldo que mais gosto é o de costela com cebola e gengibre. Ele fica cozinhando dias para ganhar muito sabor”.

Uma história de sucesso
As primeiras referências ao lámen na história japonesa são de 1600. Por centenas de anos, foi uma iguaria restrita a poucos. Só em 1910 surgiu em Tóquio o primeiro restaurante servindo o soba chinês, como o lámen era conhecido. Hoje, estima-se que haja 24 mil estabelecimentos especialistas na receita no Japão.
As inúmeras variações existentes giram em torno do mesmo tema: um macarrão servido num caldo (de verduras e legumes com carnes, aves ou frutos do mar, em que se tenta chegar ao sabor umami, conhecido como o quinto sabor), com acompanhamentos diversos (carnes, brotos, algas etc.). Os ocidentais podem achar estranho ou engraçado. Porém, no Japão, é preciso fazer barulho ao comer o lámen. O macarrão deve ser consumido bem quente e ele é praticamente sugado juntamente ao caldo. Isso resulta uma sinfonia em homenagem a este prato icônico.
O sucesso do prato é atribuído ao fato de ser reconfortante, barato e rápido – tendo o caldo pronto, o restante é só adicionado ao prato, funcionando como um fast food japonês.

Uma história de sucesso
As primeiras referências ao lámen na história japonesa são de 1600. Por centenas de anos, foi uma iguaria restrita a poucos. Só em 1910 surgiu em Tóquio o primeiro restaurante servindo o soba chinês, como o lámen era conhecido. Hoje, estima-se que haja 24 mil estabelecimentos especialistas na receita no Japão.
As inúmeras variações existentes giram em torno do mesmo tema: um macarrão servido num caldo (de verduras e legumes com carnes, aves ou frutos do mar, em que se tenta chegar ao sabor umami, conhecido como o quinto sabor), com acompanhamentos diversos (carnes, brotos, algas etc.). Os ocidentais podem achar estranho ou engraçado. Porém, no Japão, é preciso fazer barulho ao comer o lámen. O macarrão deve ser consumido bem quente e ele é praticamente sugado juntamente ao caldo. Isso resulta uma sinfonia em homenagem a este prato icônico.
O sucesso do prato é atribuído ao fato de ser reconfortante, barato e rápido – tendo o caldo pronto, o restante é só adicionado ao prato, funcionando como um fast food japonês.

Receita

Ingredientes: 500g de macarrão de lámen (à venda em lojas orientais ou pode-se usar o famoso miojo, mas sem o tempero); 4 ovos cozidos; folhas de acelga; cenoura ralada; 8 fatias de lombo assado; grãos de três espigas de milho cozidas; cebolinha fatiada.
Ingredientes caldo: 1kg de costela de porco fresca cortada em pedaços; 2 cebolas grandes picadas; 1 pedaço de gengibre sem casca; 2 dentes de alho e 3 litros de água.
Preparo: coloque tudo na panela e leve ao fogo brando por cerca de 8 horas ou até reduzir a menos da metade. Coe e reserve.
Montagem: cozinhe o macarrão no caldo, rapidamente, e coloque na travessa. Por cima, em cada tigela, coloque duas fatias de lombo, um ovo cozido cortado ao meio, folhas de acelga cozidas, cenoura ralada, milho verde.
Dica: para acompanhar, você pode colocar legumes em tiras finas, frango em cubos, camarões sete-barbas, alga, carne em tiras, ovo cozido etc.

Flashes

Momentos do belíssimo Baile de Gala de Guarujá, em comemoração aos 83 anos de emancipação político-administrativa do município, realizado no Casa Grande Hotel, com a presença do cantor Fábio Júnior

Fotos Roberto Sander Jr

Flashes

Um click nos presentes ao Botecão da TAR, realizado recentemente na Choperia SP55  – Riviera de São Lourenço

01-

Amigos reunidos para mais um dia de confraternização

02 –

Família e amigos, a base da TAR

03

As meninas da TAR, sempre presentes

04 –

Martinho e Leo Marques, inseparáveis

05-

Sempre cabe mais uma nesta grande equipe

06 –

Roberto Haddad, Leo, Claudia e Helô, só alegria

 

Aniversariantes de julho

07 –

Rubens Alves comemora com Válter Suman, prefeitura de Guarujá

08-

Expedito, Rosa e Marcio Honório

 

 

Política

09 –

O presidente da Câmara de Bertioga Ney Lyra e o presidente Michel Temer, em Brasília

Revista Beach&co