A arte da iluminação

Profissionais especializados dão dicas para gerar atmosferas agradáveis e prazerosas com o uso de luzes diretas e indiretas

Estela Craveiro

Nada como uma boa iluminação para ampliar o conforto e a beleza de uma residência. Naturalmente, o ideal é já construir a edificação com um projeto luminotécnico, associado ao projeto arquitetônico. Mas sempre é possível mudar o que já está pronto. Conhecendo os princípios da arte de iluminar, é uma tarefa até lúdica. O essencial é ter em mente que, como diz Gustavo Di Menno, lighting designer e fundador da Dimlux, “luz tem mais a ver com o que se sente do que com o que se vê” e deve “contribuir com o preenchimento e distinção dos espaços”, valorizando tanto a arquitetura quanto a decoração.
Tudo começa com a análise do uso de cada ambiente, ensina a arquiteta Débora Durigon: “Tem que prever pontos de luz em áreas de leitura, como mesas de estudos e trabalho, em áreas de refeições, em áreas de uso de espelho, como banheiros e lavabos, e em áreas próximas aos guarda-roupas. É interessante também planejar os interruptores. Distribuir a iluminação em alguns circuitos pode ser muito econômico e prático”.
Mas quais fontes de luz escolher? Sérgio Ferrazini Jr., engenheiro eletricista da Trans-Elétrica Iluminação, as classifica em dois grupos: “Luzes indiretas proporcionam maior conforto e aconchego. São indicadas para dormitórios e ambientes sociais. Já cozinhas, lavanderias e banheiros pedem luz direta, mais uniforme, forte. Nos ambientes externos integrados aos internos, projetores de pequena potência, preferencialmente, de LED, em tons de âmbar, verde e azul ajudam a compor um clima relaxante”.
No litoral, também é bom estar atento ao calor gerado pelas lâmpadas. Luzes frias podem até ajudar a manter o frescor, mas não criam atmosferas aconchegantes. Indicam-se lâmpadas LED, com baixa emissão de calor, hoje disponíveis com grande variedade de cores e passíveis de controle ótico. Mas lâmpadas eletrônicas também dão bons resultados, dizem especialistas.
Gustavo Di Menno explica que “as temperaturas de cor mais quentes trazem a sensação de descanso e relaxamento. Remetem ao final do dia, ao pôr do sol. Em função desta ação psicológica, são as preferidas para ambientes usados para atividades de prazer e repouso”. Em lâmpadas, a temperatura de cor é medida em graus Kelvin (K). Quanto maior o número, mais fria é a cor que emite.
A arquiteta Patrícia Cillo, da Figoli-Ravecca Arquitetura, observa a importância do formato das fontes de luz: “O ideal é usar luzes diretas, embutidas ou não, sobre quadros, bancadas, áreas de circulação e locais onde se faça necessária a claridade. Brincar com abajures e plafons, com luzes indiretas, deixa os ambientes mais aconchegantes. E é preciso cuidado com pendentes. Se tem um na sala de jantar, não deve haver outro no ambiente ao lado. São como esculturas. Merecem destaque”. Também é fundamental evitar pontos de luz acima de camas, televisões e sofás, para não ofuscar a visão.
O arquiteto Ricardo Caminada, sócio da Díptico Design de Interiores, ressalta a praticidade dos circuitos independentes, com a iluminação acionada conforme a situação. “Para um bate-papo entre amigos, por exemplo, todas as luzes da sala acesas podem causar incômodo. A iluminação indireta é mais confortável. Gosto de abusar das opções para iluminar o mesmo ambiente. Lanço mão de várias cenas de spots e abajures”, ele conta. E frisa que as cores do piso, das paredes e dos móveis são decisivas: “Se a opção for por um tom escuro, que absorve mais luz, preciso de mais intensidade de iluminação. Se o décor tiver cores mais claras, diminuo a intensidade da luz”.
Para completar, em casas no litoral, atenção aos componentes. “É importante atentar às características técnicas das luminárias, por causa da maresia e das chuvas com vento. Devem atender requisitos de resistência física, ser construídas com peças não corrosivas, passar por pinturas que proporcionam maior durabilidade”, recomenda Gustavo Di Menno.

 

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